Tenho trabalhado, dentre outras coisas, na edição dos registros originais da série “Blogosfera Brasileira em Debate“, preparando-os para receber [1] edição comum (leia-se PDF), [2] tradução para o inglês e espanhol e [3] arquivo público comum (leia-se Google Docs), com vistas a garantir [A] sua preservação e [B] maximizar seu alcance público. À medida em que vou evoluindo nesse trabalho me sinto tentado a todo momento a buscar releituras dos temas que mobilizaram aquele grupo de pessoas que se deu ao desafio de construir juntas um flash da blogosfera naquele momento. Praticamente apenas um mês se passou desde então e é incrível a velocidade com que alguns sinais profetizados pelos então debatedores já se materializam com mais ou menos força! Algumas dessas releituras ainda quero publicar aqui, provocando novos questionamentos e novos debates, mesmo que em menor escala. Da primeira já o fiz [A Nova Via dos Blogs na Mídia].

Quero estar com essa material pronto antes dos próximos BlogCcamps (as regiões estão todas mobilizadas e se mexendo) - inclusive para que outros possam se lançar a essas releituras tão oportunas.

Aproveito minhas madrugadas insones, os finais de semana, minha solteirice e o prazer que me dá poder participar dessa imensa massa colabotariva inteligente que é a blogosfera pra produzir, produzir, produzir - tenho adorado empreender em função da máquina de idéias produzidas aos terabytes na web colaborativa! Ainda assim me sinto tão aquém das possibilidades que surgem e das iniciativas realmente brilhantes que vejo sendo tocadas por empreendedores muito mais preparados do que eu - já lá na frente! Tenho referências na web que aprendi a admirar, a respeitar, a seguir, e a aproximação com essas pessoas contribui para o meu amadurecimento como usuário e empreendedor web. E quando essas pessoas (inteligência tão ao meu alcance, a 1 click de distância) acabam por se tornarem minhas amigas, parceiras, aí então é a realização do ideal de se construir uma verdadeira rede mista de trabalho, lazer, prazer, escola - que grande barato esses tempos!

Lendo dois artigos recentes de pessoas dessas que eu admiro e acompanho - ambos a respeito de um dos recentes empreendimento aos quais me lancei - a NossaVia, proposta de parceria de geração de conteúdo da Via6 à blogosfera brasileira - me sinto desafiado e, ao mesmo tempo me ponho imediatamente a ruminar conceitos ainda tão novos - não só pra mim mas, acredito, que para todos nós. Falo dos artigos publicados, pela ordem, pelo Gilberto Jr [O melhor da blogosfera é a descentralização - Prática] e pela querida Cris Zimermann [Centralizar a bllogosfera brasileira por que? - Virtual Entrepreneur].

Em ambos os artigos mencionados acima as supostas “institucionalização e centralização da blogosfera” são questionadas. Como contradizer impunemente dois ícones da blogosfera como Gilberto e Cris? Qual a melhor maneira de dizer que não concordo com isso, que me parece uma apropriação indevida de um conceito, de uma evolução natural da natureza da blogosfera?

O advento dos blogs como mídia de relevância não foi uma inveção das empresas - ao contrário, elas, antes, resistiram enquanto puderam a reconhecer esse fato. Fomos nós quem nos levantamos a dizer que podemos e desejamos sim ser reconhecidos como mídia relevante. Que é igual a dizer que o que falamos (postamos) tem valor, corência, faz sentido, que não estamos falando apenas para os nossos umbigos, mas pra quem desejar conversar conosco. Não foram os portais, as redes sociais, a imprensa quem nos disse isso - fomos nós quem levantou essa lebre.

Ninguém veio bater às nossas portas dizendo: vocês precisam ganhar dinheiro com seus blogs - fomos nós quem dissemos, em algum momento, “será que não poderíamos criar maneiras de trabalhar com o que gostamos de fazer e podermos viver disso? Não seria legal?”. Mas quantos de nós é capaz de conquistar espaços dessa natureza sozinhos? Onde estão esses meus pares que eu não os percebo pra que me sirvam de modelos? Exceções tão escassas! Há os que se organizaram… ah, sim - esses tem conseguido evoluir nessa trajetória. Prostituiram-se? Hummm. Não. Não, não, não! Eu respeito demais o trabalho do MeioBit, do InterneyBlogs, seu próprio trabalho, Cris. Há outros. Há outros caminhos de organização surgindo e criando oportunidades para os que, como eu, entendem que o progresso conspira a nosso favor - e parte significativa dele quem faz e promove somos nós mesmos - empreendedores, quando chamamos pra nós a responsabilidade de construir o nosso próprio futuro com ações firmes, concretas, corajosas.

Se a gente errar, conserta. Se a gente cair, a gente se levanta. Se prejudicarmos alguém inadvertidamente, ainda poderemos tentar reparar o mal que fizermos. Se doer a gente sopra. Se cansar a gente estará ganhando musculatura. Se tudo der errado, ainda poderemos recomeçar do zero quantas vezes for preciso. Somos humanos - o que pressupõe que podemos errar (é permitido e até desejável) - e somos jovens (nossa geração tende a passar dos 100 anos de vida útil!!! Duvida?!). Podemos querer dinheiro, reputação, divulgação, status, ou simplesmente um lugar ao sol, trabalho, respeito, dignidade, tanto faz - mas não precisamos necessariamente de “uma causa” única - isso me parece tão ultrapassado, tão velho! Precisamos de coragem, de força, de ousadia, de iniciativa, de gás, precisamos de amor-próprio - disso estou certo que precisamos.

Essa história de que cada um tem seu blog e seu blog é o seu mundo não cola em mim. Meu mundo é maior que meu blog pessoal. Meus ideais, meus sonhos, meus projetos, minha força, meus objetivos são maiores que meus blogs pessoais juntos; a blogosfera não é o mundo - é um nicho; não estamos sós no mundo; não inventamos as regras, mas podemos servirmo-nos delas para crescer e deixar nossa contribuição pessoal e coletiva.

Estamos sim reinventando o jogo, criando uma nova forma de produção, de comunicação, de relacionamento (mas a anarquia, como qualquer outro modelo ultrapassado, não me serve - obrigado, dispenso.). Mas não podemos medir os nossos esforços nem as nossas conquistas pelas mesmas métricas que combatemos. Temos que apresentar algo para as substituir - e é o que vejo que estamos fazendo.

Não veremos “um blog centralizado” criando relevância, mas vários, de diferentes formatos, com diferentes propósitos. Redes de blogs como as que já há, blogs coletivos, blogs institucionais corporativos, blogs de diferentes mídias, blogueiros a serviço de diferentes atividades profissionais - abram os olhos, eu não estou inventando a roda, só falo do que já está à vista, do que já me alcança! Não estou profetizando nada, estou narrando fatos evidentes! Nosso mundo não se resume a iniciativas isoladas, individuais - muito menos a ferramentas isoladas (eu quero todas ao dispor do meu trabalho - wikis, fóruns, redes, blogs, listas, todas).

E isso não é deter a posse da relevância nem dominar o mundo - é só construir com as próprias mãos o presente, com os olhos fixos no futuro e na sorte. E eu não estou só.

Grande abraço! A semana promete… ;)

Wagner Fontoura

 

Popularity: 7% [?]

Aproveite que está aqui e assine o feed dos posts. Obrigado!
Você pode deixar um comentário, ou enviar um trackback do seu site.