amigos.gifNos primórdios de 2005, quando o advento das Redes Sociais ainda parecia um modismo - ou um hype, para usar aqui um termo mais afeito à blogosfera - o cientista social Fernando Rossetti já preconisava princípios que, segundo sua (ante)visão, norteariam a consolidação desse fenômeno social que hoje vemos transformar a forma como nos relacionamos, através do networking - que não raro começa online e se estende para o campo presencial quotidiano.

Esses já eram, à epoca, os princípios que, segundo o sociólogo, deveriam nortear os circuitos sociais formados pelas redes:

1. Construir confiança

Bernardo Toro afirma que, para construir confiança, é necessário que as pessoas envolvidas numa rede saibam como cada participante reagirá em situações as mais diversas. É preciso conversar sobre as relações, expor as divergências, vivenciar conflitos, de preferência, com facilitadores profissionais. Para participar de uma rede é necessário reservar tempo para as pessoas se conhecerem e construírem confiança. A transparência favorece a construção de confiança.

2. Compartilhar valores

Toda vez que o grupo se encontra presencialmente é preciso reafirmar os valores, re-pactuar os princípios. Por vezes, os pioneiros da rede estabelecem valores que esperam ser eternos. Mas os valores devem ser sempre re-visitados, reeditados, pois a realidade muda constantemente. Redes sociais, em geral, têm uma rotatividade elevada de membros. Em cada reunião presencial há várias pessoas novas.

3. Dar e receber

“O que eu ganho com isso?” Essa pergunta, que caracteriza mais o mundo dos negócios privados, também orienta o sucesso de uma rede social. As pessoas e organizações participam de redes que trazem benefícios individuais. Mas a missão da rede também tem que estar inscrita nos objetivos de cada pessoa e organização membro, se não, as demandas do dia-a-dia se sobrepõem às necessidades da rede.

4. Criar produtos e eventos

Na maioria dos casos, a simples troca de informações, por blog, e-mail ou e-group, não é suficiente para armar uma rede social. As tecnologias de informação e comunicação são meio, não fim. Há exceções - por exemplo, o processo de produção do sistema operacional Linux, em que o fim (um software de informação e comunicação) se confunde com o meio (uma plataforma de relacionamento). Outro campo em que a relação virtual por si só produz resultados é a academia, a universidade, cujo trabalho é a produção e disseminação de conhecimento. Mas redes sociais envolvem prática. A transformação social implica ação, além de reflexão. As redes sociais armam de fato quando se instaura um processo de produção coletiva, em que todos se reconhecem como autores em produtos e eventos.

5. Investir em lideranças

Segundo Albert-László Barabási, redes não são uniformes. Há sempre elos e conjuntos de elos muito mais conectados do que outros. Esses nós e grupos de afinidade têm um poder de multiplicação de idéias e práticas muito maior do que unidades com poucas conexões. Além disso, alguns elos da rede reúnem competências, habilidades e conhecimentos que não estão presentes nos outros. Redes sociais com um centro muito carregado, responsável pelo conjunto das atividades, tendem a ter menos sustentabilidade do que outras em que as funções estão distribuídas de acordo com as competências e lideranças de suas partes. É necessário identificar e fortalecer esses nós e promover grupos de afinidade. Em geral, é preciso também ter pessoas que assumam o papel de “gestores da redes”.

6. Sistematizar conhecimentos

A memória de uma rede tem que ser planejada. O tempo e a rotatividade de pessoas em uma rede são sempre uma ameaça de “amnésia sistêmica”. Novos membros numa rede tendem a diluir os princípios e valores, se não houver mecanismos de transmissão dos conhecimentos acumulados. Sem isso, há também o risco da rede ter que se reinventar periodicamente. Assim, toda rede precisa sistematizar suas aprendizagens, o que implica não só produzir materiais escritos, como manter processos estruturados de oferta desses conhecimentos.

7. Aprender fazendo

Por mais que existam princípios comuns, cada rede é uma rede, as relações e os objetivos são únicos, é sempre uma nova aprendizagem. Nenhuma rede está nunca completa, pois vive sempre em mutação. Redes são orgânicas, alcançam tanto sucesso no mundo porque se adaptam às mudanças do ambiente, além de reunir num coletivo diversas competências, habilidades e conhecimentos. Cada rede tem uma cultura, seus princípios e valores. Para construir esse tipo de identidade é necessário se arriscar a aprender fazendo.

Hoje em dia estamos fartos de saber que o “redismo” - ou a moda das redes - transformou-se numa febre mundial, com ícones e representantes de enorme peso no campo dos negócios e já não é mais possível sequer prever com precisão aonde ainda iremos ser conduzidos por esse fenômeno.

No Brasil, apesar de termos poucos representantes no grupo das grandes comunidades sociais - mesmo depois do sucesso do orkut em nossas paragens brazucas - temos muito o que percorrer nesse caminho interativo e participativo que a Web 2.0 nos abriu e que a web semântica tende a consolidar.

O que teriam a dizer os leitores deste blog - na sua maioria geradores de conteúdo próprio e formadores de opinião que são - a respeito dos novos princípios e valores que devem nortear nossas atividades na era das redes de relacionamento social, profissional e de negócios?

Deixo aberto o tema aos leitores em geral, mas convido alguns amigos em especial a usarem este mesmo espaço aqui no Boombust (ou os seus próprios veículos de comunicação) para manifestarem seus pontos de vista a respeito da evolução das redes sociais no Brasil e no mundo:

São eles o Manoel Lemos (BlogBlogs), o Jobson Lemos (Secundum - na semana em que retoma suas atividades), o Diego Monteiro (Via6), a Márcia (Webly), o Octavio Pitaluga (TEN-Top Executives Net), o Guilherme Nascimento (Papo de Homem) e o Marco Gomes (Boo-Box).

Grande abraço!

Wagner Fontoura

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