18 de junho de 2007 - Depois de quase dois anos e meio da sua idealização, o Projeto BoomBust entra no seu estágio de start-up. Já não era sem tempo! O projeto nasceu, de fato, de uma demanda percebida por seus empreendedores ainda e bem no início do ano de 2005. Desde então, muita água passou por baixo dessa ponte durante seu estágio de concepção!

Hoje, a entrada nessa etapa de start-up é marcada, dentre outras coisas e como primeiro passo, pela migração do blog BOOMBUST para outra ferramenta web, mais apropriada ao lançamento paulatino de algumas funcionalidades que servirão ao negócio - o BoomBust (Vide pastas do blog, acima).

Para abrir esta nova fase trazemos ao blog ninguém menos que o Diretor Executivo da Confrapar - Carlos Eduardo Guillaume - que nos prestigia com um entrevista exclusiva cujo tema é “O Capital Empreendedor no Brasil e no Mundo“, concedida para este fim a um dos nossos editores e Gerente de Relacionamentos deste auto-entitulado “Blog-Community” - Wagner Fontoura.

O conteúdo desta entrevista - dividido em 2 posts - mostra “o caminho das pedras” para a obtenção de crédito de Capital Empreendedor, para todos aqueles que têm em mente uma idéia, um sonho, ou, já em estado mais avançado, um projeto, um plano de negócio ou empresas que possuem pouca ou nenhuma receita e estão literalmente nascendo.

Apresentações feitas, vamos à entrevista… Ah, é muito bom estar em tão boas companhias. ;)

BoomBust [Boom]: Olá, Carlos. Em que países a indústria de Venture Capital mais tem se desenvolvido e qual tem sido a importância do desenvolvimento dessa indústria no desenvolvimento de empresas inovadoras e da economia local desses países?

Carlos Eduardo [Carl]: A indústria de Venture Capital é muito desenvolvida na Europa e América do Norte. Essas regiões isoladas representam 80% do volume global de recursos. O mercado de capitais, e em especial a indústria de Venture Capital foi extremamente importante para o desenvolvimento dos Estados Unidos durante o século XX. A indústria de Venture Capital é responsável pelo grande crescimento da produtividade americana, através da criação de empresas inovadoras. A exportação dessa “produtividade” pelas empresas americanas de tecnologia traz recursos aos Estados Unidos e ajuda a compensar o enorme déficit fiscal americano. HP, Oracle, Microsoft, Yahoo, Google, YouTube, eBay. É difícil encontrar uma grande empresa de tecnologia americana que não tenha surgido e se alavancado com os recursos de Venture Capital.

Nos últimos 15 anos, a combinação da facilidade de acesso a informação, a saturação dos mercados maduros, e mais recentemente a liquidez do mercado mundial, tem trazido uma atenção para oportunidades em países emergentes. A Ásia, apesar da falta de uma regulamentação madura para o mercado de capitais em países como a China, por exemplo, tem atraído grande parte desses recursos. Isso se deve às oportunidades que surgem com o crescimento em patamares superiores a 8% ao ano. Nos últimos dois anos, outras estrelas tem surgido e atraído parte dos recursos de Venture Capital disponíveis. Podemos citar a Rússia, a Romênia, a Polônia e outros países do leste Europeu.

Esperamos que agora seja a vez do Brasil.

[Boom]: Quais são as perspectivas do desenvolvimento da indústria de Venture Capital no Brasil e quais são as principais iniciativas locais de apoio ao empreendedorismo, à criação de incubadoras de negócios e de financiamentos de Venture Capital?

[Carl]:O Brasil possui uma série de fatores muito favoráveis ao desenvolvimento dessa indústria. Um enorme mercado consumidor de inovação, uma bolsa de valores forte, com uma regulamentação madura, órgãos de fiscalização independentes, tais como a CVM - Comissão de Valores Mobiliários, e geração de conhecimento nas universidades.

Entretanto, devido a razões históricas e culturais do Brasil e da América Latina em geral, ao empresário não era dado seu devido valor na sociedade, o que em nada contribuiu para a criação de uma cultura empreendedora.

São ainda recentes as iniciativas de apoiar o empreendedorismo em cursos de graduação, mas algumas dessas iniciativas têm nos surpreendido positivamente. Podemos citar aqui a Lei de Inovação, de dezembro de 2004, com progressivos avanços dentro das universidades e incubadoras. Projetos de apoio à incubação e à capitalização de fundos de Venture Capital, por parte do Governo Federal, alguns Governos Estaduais, e prefeituras.

Algumas iniciativas privadas de apoio ao empreendedorismo como Endeavor, Universia, Santander, Assespro, e diversas outras tem contribuído enormemente para o fortalecimento dessa cultura.

O Boombust tem trazido matérias interessantes sobre o tema. Espero que continuem o bom trabalho.

[Boom]: Qual é, tradicionalmente, a origem dos recursos aplicados nos investimentos de Venture Capital no Brasil? Como são criados e administrados os fundos de investimento de Venture Capital?

[Carl]:A indústria de Venture Capital no Brasil não possui mais de 15 anos, e nesse seu nascimento atravessou crises mundiais que tiveram forte impacto em nossa economia, como a crise Mexicana em 1994 e a crise Asiática em 1999. Somente depois de 2001 houve uma calmaria nos mercados externos e um cenário favorável ao Venture Capital no Brasil. O surgimento de novos fundos de Venture Capital também data dessa época. Os recursos em Venture Capital no mundo tem sua base em geral em recursos de Fundos de Pensão, dado seu largo horizonte de investimento e sua necessidade de diversificação da carteira. Recursos públicos, tendo em vista a importância do setor para a geração de novas empresas, são largamente aplicados em Venture Capital, principalmente na Europa. Associações de anjos, pessoas físicas que investem recursos e muitas vezes aconselham empresas nascentes, terminam por formar o tripé de investimento nesse tipo de fundo.

Os fundos de Venture Capital são geralmente criados por empresas de administração de recursos, que decidem ampliar o leque de opções a seus clientes, oferecendo ativos alternativos, com maior risco e maior rendimento. A estrutura e administração de um fundo de Venture Capital é bastante similar àquela de um fundo de ações. As diferenças estão no tipo de analise que é feita para o investimento e no tipo de transação: a analise das empresas deve ser bastante criteriosa em um fundo de Venture Capital pois uma vez feito o investimento, celebra-se um acordo de longo prazo e baixa liquidez. A transação de um fundo de Capital Empreendedor também é mais complexa e envolve uma serie de instrumentos jurídicos para se realizar. Assim, o numero de transações feita por um fundo de Venture Capital também é bem reduzido.

Em geral, os fundos investem em 10 a 20 empresas e fazem poucos investimentos e desinvestimentos por ano.

[Boom]: Como funcionam, via de regra, os principais processos fundamentais do negócio de capital de risco - a saber, captação / prospecção, seleção, análise, investimento, acompanhamento e desinvestimento?

[Carl]:Em primeiro lugar, não consideramos o termo “capital de risco” o mais apropriado para descrever esse negócio. A tradução mais apropriada do Venture Capital seria o “Capital Empreendedor”. O Capitalista Empreendedor é avesso ao risco. Ele fará de tudo para evitar o risco dos negócios.

A visão do risco nesse investimento vem de instituições financeiras tradicionais, que não estão preparadas a avaliar o risco de um negócio inovador. Essa é a especialidade do capitalista empreendedor. Os processos descritos por você funcionam como um funil, onde entram várias oportunidades de investimento e poucas são investidas.

A Confrapar decidiu adotar uma política de transparência com o empreendedor. Todo projeto que se encontra dentro do escopo de atuação do fundo, e que seja apresentado ao Comitê de Investimentos, receberá um relatório mostrando o resultado da analise feita pela Confrapar, mesmo que não seja selecionado para investimento. O processo em geral dura 4 meses e apresenta as seguintes etapas:

1) Etapa Sumário Executivo

A primeira etapa de nosso processo consiste em uma apresentação do Sumário Executivo do plano de negócios ao Comitê da Confrapar.

Esta apresentação é programada para ser feita em 20 minutos e é interna da Confrapar. O empreendedor não apresenta o sumário. Caso a idéia seja apresentada e não seja aprovada enviaremos um relatório ao empreendedor. Caso a idéia seja aprovada passamos para a segunda etapa:

2) Etapa Plano de Negócios

Aqui será agendada uma apresentação do plano de negócios ao comitê. Desta vez, é o empreendedor que fará a apresentação e terá 1 hora e meia para isso. Caso o plano não seja aprovado enviaremos um relatório detalhado ao empreendedor.

Caso o plano seja aprovado passamos à fase seguinte.

3) Etapa de Diligência

Durante esta etapa serão fechados os termos jurídicos da participação da Confrapar na empresa. Após isso inicia-se a sociedade.

[Boom]: Quais são as principais motivações para a decisão pelo investidor por um investimento de Capital Empreendedor?

[Carl]:O investidor sempre busca compor sua carteira de modo a minimizar o risco e aumentar seus rendimentos. Na composição de uma carteira entram fatores pessoais, tais como objetivos do investimento, perfil de risco, etc. O investidor geralmente coloca entre 2% a 5% do total de sua carteira em ativos de maior risco e potencial de altos ganhos.

Alguns investidores porém, investem em capital empreendedor por entenderem ser este um investimento social. Estão ajudando a criar novas empresas, empregos, impostos. A esses investidores pessoa física chamamos anjos. Muitas vezes os conselhos dos anjos são mais importantes que os recursos financeiros.

Continue lendo a 2ª parte desta entrevista aqui…

Carlos Eduardo Guillaume

Diretor Executivo da Confrapar Participações Pesquisa SA

Histórico Profissional

Microsoft - Business Manager
Ericsson - Program Manager
Ericsson - Project Manager

 

Formação Acadêmica

UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Engenharia Eletronica
Fundação Getúlio Vargas - MBA Executivo
IBMEC - MBA - Marketing

Contato

email: kadugui@hotmail.com

 

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