Começam a pipocar aqui e ali ataques da mídia tradicional aos blogs como mídia alternativa… demorou! Entramos agora no Brasil também numa nova fase do processo de caminhada e fortalecimento dos blogs como ferramenta de comunicação de massas - o que já vem acontecendo lá fora.

Primeiro o Estadão entra em campanha (saiba mais aqui) e hoje a Folha veicula entrevista com Andrew Keen, 46, ex-professor das universidades de Massachusetts e Berkeley (EUA), dizendo que a internet é um caos de informações inúteis, fazendo clara alusão sobreturo à blogosfera. Pronto! Foi-se a farinha (pra não dizer outra coisa) jogada toda no ventilador… ato contínuo - o que não é difícil de prever - esperemos as reações de todas as naturezas (as listas da blogosfera já começam a ferver) e a atenção da população estará definitivamente chamada para este debate que já se prenunciara. Substituirão os blogs a mídia tradicional? Estamos finalmente prontos para dominar o mundo e seus moinhos de vento? Hummm… por que será que não me sinto animado (eu que tinha tantos planos pra quando chegasse o momento em que o mundo finalmente reconheceria meu poder e a força da minha palavra escrita!)?

“Há um legado hippie na filosofia libertária da blogosfera, no desprezo à autoridade, à mídia tradicional. Acho que a autoridade do Estado, da mídia, são coisas que devemos prezar, porque têm valores significantes que, se minados, criariam a anarquia. A rejeição da autoridade vista nos blogs não é progressista, é anarquista. ” (Andrew Keen)

O tosco discurso anti-blogger da velha mídia tem se baseado no fato de que a democracia da web2,0 não passa de uma falácia - já que também aqui “grupos poderosos de interesses duvidosos” se formam em torno da tecnologia disponível e tendem a encurralar as massas com conteúdos igualmente duvidosos e / ou vazios de consistência. Da minha parte prefiro mesmo não mais seguir pelo caminho de pregar o tal jornalismo cidadão como meio de transgressão e de burlar o engodo das elites porque minha fase riponga já ficou pra trás faz tempo - mas daí a negar o óbvio também já seria demais: esse troço não deixa de ter lá o seu poder…

Por isso tenho adotado um discurso pró-ético-responsável quando o assunto é o uso dos blogs como instrumento de comunicação de informações gerais e / ou especializadas (e não mais - ou nem sempre - como diário virtual). Quando (e se) falo de mim, da minha vida pessoal, posso fazê-lo da forma que bem entender. Quando me dirijo a outras pessoas para emitir minha opinião sobre o que quer que seja também posso - mas nem tudo me parece conveniente… há que se ter algum juizo, embora graças a Deus e ao Cardoso (o que talvez seja a mesma coisa) “haja controvérsias”

Mas essa brincadeira mal começou. Teremos ainda muito a esse respeito para nos divertir - e quem não souber brincar que não desça para o playground. Muita água ainda há de passar por baixo dessa fonte… e aqui - como em tudo na vida - a velha e boa seleção natural há de fazer o seu trabalho salvando sim aqueles que melhor se adaptarem aos novos tempos. Como de costume, vencerão os que tiverem a maior capacidade de resistir aos trancos, se adaptar ao meio (ou que conseguirem a façanha de adaptar o meio a si) e reproduzirem-se. Façam as suas apostas. Vencerão os blogs essa batalha contra a poderosa e famigerada mídia tradicional? Cá estou a fazer a minha aposta pessoal… ;)

Grande abraço!

Wagner Fontoura

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