Foi-se 2007. Curioso que, fazendo uma retrospectiva do que nos legou este que foi incansavelmente blogado em verso e prosa (inclusive por mim) como “O Ano” em que a blogosfera brasileira deu o seu grande salto, a frase que dá título a esse post, uma provocação proposital, até que pode sim fazer todo o sentido do mundo….

O blog mais lido e acessado do Brasil? “Pô, fala sério!”

Reencontrei, seguindo a trilha de links deixada pela Nospheratt nas suas considerações finais sobre o desafio “21 dias para fechar o ano com chave de ouro” (que me levou a uma bela lista de posts na Retrospectiva 2007 do Tico Esteves), um post não de 2007, mas, inacreditavelmente, de setembro de 2006, que já nos oferecia de bandeja considerações lúcidas e pertinentes a respeito do que já nos faltava ao final daquele ano para que tivéssemos “o blog mais lido e acessado no Brasil“.

“Ter um blog para ganhar dinheiro é como qualquer outro negócio, virtual ou não. É preciso oferecer um produto que as pessoas queiram comprar. Não basta o produto ser bom. Não basta o produto ser barato (eye-balls e banner clicks). Tem que haver demanda! É o principio básico da economia que parece ser ignorado pela grande maioria de blogueiros que querem monetizar seus blogs” [F. Seixas]

Eu arriscaria dizer que já existe no Brasil blogs singulares na criação de conteúdo sobre assuntos para os quais há uma grande demanda. Ou pelo menos sementes já germinadas deles. Eu posso citar nominalmente, para ilustrar, 3 blogs que, a meu ver, preenchem os mais básicos e importantes requisitos dessa receita de bolo: o Dinheirama, o Papo de Homem e o Não 2 Não 1, os quais terminam o ano alguns passos à frente da enorme massa de blogs que se lançaram à corrida pelo ouro em 2007, por motivos diversos e largamente mencionados aqui mesmo nesse blog em posts anteriores.

Mesmo onde a “concorrência” é das maiores, em função da larga oferta de boas opções, como não reconhecer que blogs como Treta, Irmãos Brain e o novo-Mundo se destacam na multidão e, sobretudo, se projetam rapidamente, dia após dia? Lógico que há vários outros, a meu ver, nessa lista (de novo, sob o meu ponto de vista). Blogs e / ou blogueiros maduros há por toda parte (não necessariamente sempre sob uma mesma URL), mas, infelizmente, isso não é tudo.

Esse ano não foi ainda profícuo em outros quesitos mencionados pelo Fábio no seu post de 2006, como amadurecimento e crescimento do mercado anunciante, leia-se anunciantes e, sobretudo, agentes de comunicação e de mídias. Pouco evoluímos nesse sentido e o que fizemos fôra de maneira pusilânime.

Tampouco no Brasil fomos capazes de criar outra das condições sine qua non para que crescêssemos e acontecêssemos como mídia relevante do ponto de vista do alcance: a socialização da internet por aqui ainda é uma falácia, convenhamos; apesar de todos os esforços tanto governamentais quanto do próprio mercado nesse sentido - por mais questionáveis que sejam. Internet decente no Brasil ainda é coisa para uma pequena elite, diga quem quiser o contrário. Isso está em marcha de mudança? Sim. Até está. Mas… ainda não foi em 2007. E como reclamar da escassez de iniciativas de anúncios em mídia se nos faltou ainda esse ano essa escala?

Não digo isso como quem faz um muxoxo de lamúria, reclamando da sorte, mas na expectativa de que sejamos capazes de refinar e consolidar nossas conquistas e, ao mesmo tempo, apontarmos nossa artilharia para problemas e desafios que se mostram resilientes, o que é bem diferente de serem crônicos.

O Cardoso, no apagar das luzes de 2007 no seu Contraditorium, postou seguidos 3 artigos praticamente complementares sobre blogs como mídia e mídias para blogs, que ilustram muito do que estou querendo dizer aqui sobre ajustar focos e definir nossos próximos alvos. São eles, pela ordem:

Em recente encontro com empresários, executivos e agentes de mídia que participei em SP tive a oportunidade de bater na tecla de que enquanto não formos capazes de, juntos, criarmos audiência relevante para as nossas novas mídias, correremos o risco dessas mídias ficarem velhas sem terem conquistado aqui o que já conquistaram lá fora.

E esse é um desafio que não é só dos blogs, ou só dos nossos governos, mas dos portais, da imprensa tradicional, das agências de publicidade, dos novos brokers de blogs, daqueles que já encontraram o caminho das pedras e dos quais precisamos de um pouco mais de generosidade e boa vontade, porque senão estaremos atirando contra os próprios pés. É estúpido que no meio dessa turma toda citada neste parágrafo ainda haja quem pense em “reserva de mercado”. E o pior é que ainda há.

Popularity: 7% [?]

Aproveite que está aqui e assine o feed dos posts. Obrigado!
Você pode deixar um comentário, ou enviar um trackback do seu site.