Duas matérias da Revista Veja dessa semana me chamaram especial atenção pelos reflexos que terão no médio e longo prazo na nossa sociedade.A primeira delas, assinada pela Monica Weinberg e pelo Carlos Rydlewski, falando sobre como a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para facilitar o aprendizado - embora não pelas razões que muita gente acredita.
A segunda, do Rafael Corrêa, mostrando como a versão doméstica das impressoras 3D que fabricam objetos saltará da ficção científica para as nossas mesas de trabalho.
Ambas com potencial revolucionário!
Há pouco mais de 2 anos atrás, enquanto ainda começava a pesquisar mercados para o Projeto Boombust e ainda pensava em gerar conteúdo próprio para os cursos de empreendedorismo que desenvolveríamos, o que nos levou a abandonar esse formato (o de gerar conteúdo próprio) foi exatamente a rápida percepção de que qualquer que fosse o teor desses conteúdos, no dia seguinte eles já estariam obsoletos, dada a velocidade com que as tecnologias e a ciência vinham se reinventando a todo momento.
Também entendemos já naquela época que os modelos de cursos tradicionais (como os cursinhos de informática ou de idiomas) estariam rapidamente ultrapassados, atropelados pela tecnologia, por conceitos de escola virtual, interativa, colaborativa, etc. ..
As promessas de então (e estamos falando de apenas míseros 2 anos atrás!) eram, sobretudo:
- A multifuncionalidade dos celulares
- O escancaramento da intimidade das pessoas com o advento dos blogs
- A nanotecnologia prometendo revolucionar as ciências e os meios de produção tecnológicos
- O aumento significativo da expectativa de vida e o conseqüente envelhecimento da população
- A guerra contra as doenças com medicamentos e tratamentos revolucionários
- A tendência de surgimento de mega centros metropolitanos
- Os avanços da medicina estética
- O fim da era dos empregos estáveis
- O surgimento da escola virtual, com base na popularização das tecnologias
- O foco da educação com base na formação de empreendedores de negócios em todas as áreas
- Música e TV disponibilizadas na rede
- A confirmação da China como potência mundial e a aceleração dos processos de desenvolvimento do Brasil
- As guerras anunciadas pela água e por combustíveis alternativos
E aí você já deve estar se perguntando: onde é que está a novidade? Tudo isso já é velho - certo? Sim. Hoje. No final de 2004, início de 2005 muitos desses assuntos pareciam uma “viagem” ainda futurista!Máquinas pessoais de fabricar coisas como as anunciadas pela Veja?! Como assim? Fala sério!
Viver 100 anos naturalmente? 120?! Piração! Juro que ouvi várias vezes de pessoas moderninhas que isso era papo de lunático. “A escola não vai acabar não. Nem o emprego.” diziam sem entender nem enxergar bem aonde chegaríamos.
Hoje, lanchando com meu filho mais velho, que na época me ajudou muito nas pesquisas e na concepção do modelo de negócio que desenvolveríamos nos 2 anos seguintes, demos boas risadas juntos ao lembrarmos da cara de algumas pessoas dois anos atrás quando falávamos de coisas como “a maquininha de produzir diversas outras coisas em casa”.
Escutem bem e prestem bastante atenção: Nossos netos (e dependendo da sua geração, seus filhos ou ainda nós mesmos) não estudarão em escolas como as que conhecemos hoje. Seu conteúdo se originará em bancos de dados que se renovam segundo a segundo com informações e conteúdo global; nossas escolas não terão bancos, nem lousas, nem professores; nossos alunos não usarão caneta e papel; nossos diplomas terão, muitas vezes, o formato de contratos sociais; nossa escola será do tamanho do mundo! Nossos alunos terão de 10 a 100 anos e estarão lado a lado aprendendo, ensinando, empreendendo e crescendo juntos. Nosso universo não tem limites.
Tudo bem, o papel não acabou com a invenção do computador; nem as bibliotecas, nem as gravadoras, nem as vídeo-locadoras, nem muitas outras coisas. Provavelmente a escola convencional também não acabará. Mas terá seu papel relegado a uma dimensão menor, ou no mínimo diferente…
E quando isso acontecer, não seremos chamados de loucos, porque o nome disso é inovação, e não loucura. Não será nem mesmo uma revolução, mas uma evolução natural, plenamente factível e previsível. Hoje já não parece tão difícil entender - tenho certeza de que tudo já parece mais simples, comum.
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