Coworking e relacionamentos não apenas virtuais
Conversando há pouco tempo com a Samantha Shiraishi, amiga e parceira de trabalho muito querida, falávamos da estranheza que nos causa o fato de boa parte das relações virtuais construir imagens, personagens em torno de pessoas que não conhecemos “ao vivo”, mas apenas pela internet. Dizíamos e concordávamos com o quanto era fundamental e decisivo para os rumos das nossas relações o “conhecermo-nos no offline”, o olho no olho, o ouvir os tons de vozes, as inflexões, os sorrisos do outro. Pelo menos praqueles da nossa geração, que não nasceram grudados num computador e que só foram incorporar a tecnologia dos pc’s, celulares e gadgets afins já depois de crescidinhos.
Quantas personalidades já “desconstruí” depois de constatar in loco que a personagem não correspondia ao ao seu autor! Não é raro, por exemplo, que eu seja leitor apaixonado de um blog cujo blogueiro, ao conhecer pessoalmente, me desencanta por completo. Por isso e desde sempre fui adepto fervoroso do trazer para o campo offline as relações criadas no online, pelo menos sempre que possível.
A Myla, amiga que me frustra não ter ainda trazido para o campo offline da minha vida, postou há pouco sobre relacionamentos virtuais lá no Nossa Via, logo depois de também falarmos sobre o assunto, embora lá ela tenha dado um tratamento à questão quem nem seja o que me motiva hoje nesse post - mas apenas para referenciar o quão recorrente tem sido pra mim esse tema junto aos meus contatos mais próximos.
Ainda hoje, num desabafo ao Ricardo Cabianca, parceiro de negócios e bom amigo, esse felizmente já trazido para o offline, reclamava da falta que me faz constantemente conviver sob o mesmo teto, por algumas horas diárias que fosse, com algumas das pessoas relacionadas ao meu dia-a-dia como ele próprio, residente e estabelecido em Curitiba, ou o Helton Kuhnen, que mora em Santa Catarina, ou tantos outros com quem troco figurinhas com alguma freqüência no campo profissional - Manoel, Tonobohn, Gustavo, em São Paulo, a Kaká, no litoral paulista, Rafael no Rio Grande do Sul, e tantos outros!
Tenho a nítida impressão de que seria infinitamente mais produtivo se trabalhássemos “de corpo presente” por pouco tempo que fosse, juntos, ao vivo mesmo, diariamente. Deve ser uma questão de cultura, de costume, eu sei, uma vez que tenho já na bagagem mais de 20 anos de vida corporativa em empresas de tijolo, lidando com pessoas de carne e osso e não apenas com colegas imaginários que podem ser tão diferentes das imagens que conseguiram projetar no meu próprio imaginário.
Observo como alguns grupos na blogosfera se tornam mais produtivos e coesos a partir do estabelecimento desse tipo de convívio mais amiúde, mais presencial; pense, por exemplo em grupos como Edney, Inagaki e Ian, em SP, ou Cardoso, Nick e seus outros comparsas cariocas de choppcast; será que alguém pode duvidar do quanto é produtiva essa proximidade e convivência e no quando isso afeta direta e/ou indiretamente as suas empreitadas blogosféricas? Quanto a afetar o prazer que sentem naquilo que fazem estou certo disso - ora se estou.
Quando recentemente postei aqui sobre coworking, aticei em mim mesmo esse desejo de convivência profissional presencial. Quando o Guilherme Nascimento me procurou para combinarmos de criarmos juntos condições para embarcarmos numa empreitada dessas em São Paulo, com as nossas respectivas mudanças para a capital paulista, aí é que me atiçou mais ainda. Do Campus Party há de sair coisa boa nesse sentido pra minha vida…
Decidi que quero criar uma base de coworking o mais rápido possível em SP e pronto. Vou fazê-lo. Quero ter meu time ao meu lado não apenas no virtual. Vou criar condições pra isso. Tenho dito.
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Falando em empreender, está saindo do forno um post elaborado a 8 mãos por mim, pela Cynara Peixoto, pelo Rafael Ziggy e pelo Ricrado Cabianca, traçando o perfil dos blogueiros mais empreendedores da blogosfera brasileira e dos seus empreendimentos. Mais do que uma justa homenagem àquelas figuras que literalmente constroem a blogosfera com a força das suas iniciativas, é também um mapa das principais ações empreendedoras no nosso meio até aqui - vc não perde por esperar.
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Também já tinha iniciado um rascunho para postar no Nossa Via essa semana sobre a Teoria dos Jogos e o Dilema do Prisioneiro quando me deparei com um ótimo texto sobre o mesmo tema n’O Pensador Selvagem. Nas palavras do próprio autor do referido post, “uma visão simples e realista de como são medidas as relações humanas na atualidade”. Então, texto do Nossa Via devidamente abortado, vai aqui o link do amigo como dica de leitura instigante e relevante.
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Fabio Seixas, Edney Souza (Interney), Alexandre Fugita (TechBits), Cláudio Roca (BlogTV), Carlos Cardoso (Contraditorium) e Renato Shirakashi (Via6) representarão a blogosfera brasileira num debate sobre o fenômeno dos blogs como mídia, em uma mesa moderada por Rosana Herman do Querido Leitor no Proxxima 2008, evento que acontecerá em SP nos próximos dias 11 e 12 de março. Eu diria que é um evento imperdível, não fosse pelo valor do investimento, nada compatível com as atuais receitas dos pobres blogueiros brazukas. Nada menos que R$ 1.800,00 para inscrições que se derem até o príximo dia 31, depois de amanhã. Depois aumentará o valor duas vezes, à medida em que for se aproximando a data do encontro, promovido pelo Meio & Mensagem. Se pra ir ao Campus Party tem blogueira”vendendo o corpo” o que teremos que fazer para ir ao Proxxima?! Vender a alma? Hunf.
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Seguindo a tradição de postar os textos mais fodas sobre a vida na blogosfera, a Nospheratt iniciou o que parece que será uma nova série que já começou logo com Hierarquia dos blogs e estagnação e Venda o que as pessoas querem comprar. Se você é leitor do Boombust, esses certamente são temas que vão lhe interessar. Então vá logo conferir.
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Pra encerrar, quero mencionar minha especial expectativa quanto à iniciativa de dois amigos blogueiros que estão um para o outro, aparentemente, como o óleo está para a água, e que, não obstante, decidiram empreender juntos. Leia no post do Não dois, não um o que o Gustavo Gitti foi fazer n’A Fantástica Cabana do Dr. Love. Quem sabe a gente se encontra por lá?
Grande abraço!
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30 January, 2008 às 11:20 am
Wagner, belo post.
Conviver faz toda a diferença, sim. Venha para Sampa.
Um abraço,
Gustavo
Já deveria estar aí, Gustavo, mas faltam coisas pra acertar. Espero não voltar depois do campus… veremos. Abraço! Me aguarde que eu tô chegando. W
30 January, 2008 às 11:55 am
Wagner, acredite ou não, eu estava pensando nisso estes dias - o Bender está de férias com a esposa e veio jantar aqui ontem. Ainda vou escrever sobre a visita. Pô, faz diferença MESMO! E eu vivo aqui no fim do mundo, onde o vento faz a curva e nem assobia… HUNF!
Muito obrigada pela referência, é sempre um orgulho saber que você gosta do que eu escrevo! ^^
E sobre o Proxxima… com esses preços, acho que só montando um bordel de luxo, com clientela seleta!
Beijão!
Nosphy, eu já lhe falei sobre os serviços de consultoria cafetã que eu e o Ricardo estamos prestando? Temos na nossa carteira blogueiros da mais seleta estirpe prontos pra pagar bem por esses serviços de bordel de luxo
Beijão! W
30 January, 2008 às 12:45 pm
1,800 R$ WOW!
Evento imperdível, mas inviável, acho que quando temos relacionamentos offline com nossos amigos de trabalho a coisa flui melhor, sem contar as filosofadas que rolam. A Nospheratt sem duvida continua se superando em seus textos… abraços.
Pedro, é realmente broxante esse valor de investimento, embora eu confesse que acho que vale - só não é coisa pra blogueiro que viva disso bancar. Se serve de consolo, pelo menos estaremos perfeitamente bem representados. Abraço! W
30 January, 2008 às 4:56 pm
olha, acho q há jeitos e maneiras - e tudo aqui q vc deseja me parece tranqüilamente viável. é só sabermos abusar dos gadjets (não é mesmo pra isso q eles existem?
) e da boa vontade d que dispomos.
se uma sede física com todos os envolvidos é quase impossível, há formas disso ser contornado. no entanto, entendo sua ânsia: uma equipe em q todos se conheçam tb no offline criaria um entrosamento e uma amálgama d cumplicidade e companheirismo muito mais coesa. o resultado, claro, seria uma produtividade muito melhor, em várias esferas. não apenas na profissional. e é mesmo esse contato q, talvez, venha faltando pra coisa pisar no acelerador d vez.
no entanto, como disse, há jeitos e maneiras. uma idéia seria marcar alguns encontros presenciais, talvez em Sampa: um a cada dois meses, ou como vc achar melhor. criar uma sala d bate-papo ou usar d ferramentas como o microblogging do wordpress, etc - enfim, interfaces p se manter um contato com qualidade.
gostei da citação do texto n’OPS: tá se tornando um celeiro d coisas boas, gente d opinião fazendo um excelente trabalho. sou leitora desde o início, fãnzona, admiradora e incentivadora. pra mim, eles já são um diferencial.
pense aí, q tal criar jeitos e modos? dê as diretrizes q seguiremos. bjs
Caríssima, há sim “jeitos e maneiras”, “há muitas formas de se fazer neston” - rs. Escolhamos e/ou criemos as nossas e carpe diem! Beijão, com muita saudade! W
31 January, 2008 às 3:13 am
Wagner, você tem muita razão.
O primeiro encontro que deu início ao Interney Blogs ocorreu in loco, na Galeria dos Pães, em São Paulo. Foi a primeira vez que Inagaki e eu sentamos com o Edney e lá descobrimos que nossas idéias casavam.
grande abraço.
É curioso, eu observo, depois que já se deram alguns encontros tet-a-tet as coisas deslancham com muito mais fluidez no online. Vejo como são sempre criativos e produtivos meus contatos, por exemplo, com a Samantha e com o Ricardo, com quem, em pouco tempo, me encontrei nas 3 idas mais recentes a SP. Até porque nos sentimos mais seguros, vencemos outros crivos importantes… Grande abraço, Ian! Nos vemos por aí já já. W
31 January, 2008 às 5:56 pm
Wagner
eu fui testemunha do início de uma conversa offline significativa entre Cabianca e você. Como vejo nos comentários acima, todos reiterando as reflexões que começamos naquela tarde e temos continuado nas conversas online, os relacionamentos precisam ser mais que virtuais para o coworking de fato existir.
Eu estive envolvida em dois trabalhos não presenciais, uma revista do Japão (de 2001-04) e outro aqui em São Paulo (entre 2006-07) e embora eles tenham me deixado ótimas lembranças e contatos, não sei se teria me mantido tanto tempo ou me portado da mesma forma se o presencial tivesse acontecido antes.
Por outro lado, um pequeno gesto de simpatia que temos ao tomar um café num final de tarde com alguém pode significar uma parceria para toda vida, como também já pude vivenciar.
Então, que venha o Campus Party e como consequência dele vários espaços e grupos de coworking em 2008.
Essa é também uma das minhas maiores expectativas em relação ao Campus Party, que criemos espaços e grupos colaborativos de coworking. E concordo com você que o coworking exclusivamente virtual fica seriamente prejudicado, além dos riscos, em vários sentidos, serem maximizados. W
31 January, 2008 às 8:06 pm
Estava lendo seu texto no Google Reader e tive que vir até aqui, afinal, o trecho em que fala da desconstrução das pessoas soou familiar ao meu cenário rotineiro. Sempre me perco das pessoas que conheço na rede porque elas são algo que não pareciam ser. O diferente no caso é tão assustador que a fuga é imediata. Mas acho que isso é mais comigo que espero mais das pessoas. Abraços
Lunna, quando eu trabalhava como executivo usava muito uma frase que cabe bem à web: “papel aceita tudo”. A web também. Aí fica fácil construir imagens, que são prontamente “desconstruidas” muitas vezes. E concordo com você quando se refere ao fato do grau de exigência de cada um em relação aos relacionamentos ser dosador do impacto do confronto dos mundos virtual e não virtual. Por isso, talvez, alguns sentem mais que outros esse “mal”. Abraço! W
31 January, 2008 às 11:58 pm
Campus Party?! Pois é, estarei lá! Esse estreitamento profissional há de ser muito proveitoso sim!!!
Beijo
Há sim, Kaká… há sim. Beijoka
22 February, 2008 às 12:43 am
[...] aqui mesmo você já deve ter lido alguns artigos sobre o tema, quando falei sobre o The Hub, ou em uma ou duas outras oportunidades. Mas, afinal, muita gente ainda se pergunta que raios de coisa é [...]