Como publicar publieditoriais em blogs
Nunca mais poderei olhar nos olhos do Che Guevara, pintados em uma camiseta vendida em qualquer banquinha, por ter falado da Microsoft? Oh, não…” [Sobre um mercado em evolução, Blog do Yassuda]
Mídias sociais - leia-se blogs, comunidades online, fóruns, podcasts, videocasts, fotologs e afins - são veículos dos mais diversos objetos pessoais e/ou profissionais. Ninguém precisa sair vendendo espaço em seu blog só porque agora é moda (e está comprovado que é possível) ganhar dinheiro com isso. Então, combinemos: se seu veículo não se presta, dentre quaisquer outros, a esse fim, não precisamos ficar inimigos; tá valendo também. Eu não chamo você de xiita, nem você sai por aí me taxando de porco capitalista, ok?
É natural que no Brasil, onde os blogs já existem há um bom tempo, mas a profissionalização da atividade de blogar é recente, muito se tenham batido as cabeças na busca de um formato ideal de veiculação de publieditoriais em blogs, tanto pelos blogueiros quanto pelas empresas que buscam se especializar em estratégias de publicidade para mídias sociais.
Ainda hoje encontro grandes anunciantes literalmente perdidos e assustados e “vendidos” com relação às melhores práticas de anúncios em blogs e noutras mídias sociais.
No mundo todo vêm se formando uma trilha no sentido de que se criem normas de boas condutas - em alguns casos já se começa, inclusive, a legalizarem-se essas normas formalmente - e no Brasil a discussão ainda se dá em torno da definição do que seria ético e aceitável e do que não que não seria. É o estágio básico, inicial e inevitável de evolução desse mercado que começa a se formar em torno desses novos canais de mídia.
Olhar pra mercados já (ainda que apenas um pouco mais) evoluidos que o nosso nos dá pistas de pra onde caminhamos. A wooma, entidade já mencionada por mim em outro post onde digo que as mídias sociais são (ainda) um pirão sem dono, uma espécie de associação internacional do “marketing de boca-a-boca”, apresenta uma proposta de padrão ético aceitável e, antes, desejável, para discussão, que já começa a ser adotado no Brasil por algumas empresas pioneiras nesse mercado. Esse modelo se resume a:
- Honestidade no relacionamento entre as partes;
- Honestidade na divulgação de opiniões nessas mídias que são tão opinativas nas suas essências;
- Honestidade e transparência na divulgação do fato de se tratar de conteúdo patrocinado;
- Responsabilidade sobre as informações transmitidas;
- Respeito às regras já estabelecidas de conduta e às leis;
- Integridade
Não obstante, e já objetivando dar os próximos passos, precisamos definir, além do que é ou não ético, definir também o que convém e o que não convém.
Vejo alguns blogueiros publicando seus publieditoriais e, ao final, disclaimers informando aos seus leitores o fato de estarem sendo patrocinados para emitirem suas opiniões, mas o fazendo de forma quase ridícula, como se pedissem desculpas pelo fato de estarem recebendo para trabalhar com aquilo que é o seu negócio: transmitir informação, gerando conteúdo relevante, associando a este a sua opinião, o seu ponto de vista. Como se receber por isso fosse desqualificar seu blog. Como se estivesse dizendo:
“Olha, eu estou aqui mentindo, falando de algo com o que não concordo, mas preciso sobreviver, tenho filhos pra criar e espero que você me entenda e não leve este post em consideração…”
Isso, certamente, tem contribuido para o pânico e o afastamento de uma boa massa de grandes anunciantes em potencial, que, logicamente, espera mais profissionalismo, sensatez e honestidade por conta dos contratados.
Normalmente o padrão buscado pelas agências ou mesmo pelos anunciantes diretos se divide entre blogs que têm um apelo quantitativo de audiência, aqueles que trazem um apelo mais qualitativo (independente do tamanho da audiência) ou ambos (quantidade de visitas, associada ao fato de trazerem outros replicadores e formadores de opinião).
Isso derruba o mito de que apenas blogs de grande visitação são desejados para anúncios. E reforça ações que incentivem a criação e qualificação de novos blogs, justificando a onda recente de criação de novas redes de blogs.
A mais recente iniciativa nesse sentido, o Brogui.com Blogs, pretende lançar mais de mil novos blogs e formar massa relevante de potenciais anunciantes, orientá-los adequadamente, preparar novos blogueiros para esse mercado que se abre com força e velocidade, de forma profissional, evitando os erros e cabeçadas já cometidos e dados por muitos de nós, que, por falta de alternativa, ao construirmos esse mercado, o fizemos por tentativa e erro.
Já há organizações descentralizadas suficientes no Brasil para que esse processo amadureça de vez, sem a necessidade da criação de nenhum tipo de organização centralizadora nesse sentido.
Uma regra básica facilmente aplicável é a de que, se você veicula informação no seu blog e escreve para um público que vai atrás de relevância e conteúdo opinativo, nunca deixe de mencionar sempre que veicular conteúdo publieditorial. Mas o faça de forma inteligente, madura; informe que está fazendo um trabalho, veiculando algo que você acredita ser relevante para quem está lendo, deixando claro o seu ponto de vista.
Se o seu ponto de vista é altamente desfavorável ao produto ou serviço do contratante, seja honesto também com quem está lhe pedindo o serviço: diga-lhe o quanto sua opinião é desfavorável ao seu produto / serviço, agradeça, e não aceite o serviço, em vez de receber por ele e sair metendo o pau no anunciante, expondo-o ao ridículo de ter pago para lhe jogarem pedras. Isso seria estúpido; extremamente estúpido! Não basta ser íntegro com seu público leitor, é preciso sê-lo também com o anunciante.
Mesmo que o seu blog seja de humor, de entretenimento, seja um saco de piadas, você até poderia, nesses casos, negligenciar a informação de estar recebendo por um post (dado que seu público deve até esperar pelo escracho, pela lorota, pela zuação e não espera necessariamente que você preste qualquer tipo de opinião séria e relevante sobre o que quer que seja), mas não cuspa no prato que comeu detonando o seu anunciante, porque seria igualmente estúpido, por motivos óbvios.
Então o negócio é ser “chapa branca”? Claro que não. Já li posts totalmente coerentes, inteligentes, relevantes, mencionando pontos do produto ou serviços do anunciante com o qual o blogueiro não concordou ou do qual não gostou, apresentando sugestões de melhoria, de forma sensata e honesta. Apenas vale lembrar que, quando o cliente espera algum tipo de consultoria, ele informa antes; caso contrário, quando o objetivo da campanha é apenas veicular informação, não me parece razoável sair criticando de forma mais contundente o que quer que seja. No meu caso, informo aquilo que o cliente deseja divulgar, sempre que acho que pode ser do interesse dos meus públicos alvos nos mais diversos blogs sobre os quais tenho ascensão. Se não acho relevante, simplesmente não aceito realizar o serviço e pronto, não vou ficar mais pobre porque decidi ser coerente - muito pelo contrário, o mercado recohece o valor da integridade e da coerência, via de regra.
Bem… não espero com este post, obviamente, encerrar essa questão. Espero, antes, provocar o debate e o amadurecimento do tema, dado que o progresso na direção do estabelecimento das mídias sociais se dá a passos largos no Brasil e no mundo.
É isso aí! ![]()
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27 April, 2008 às 6:49 pm
Como publicar publieditoriais em blogs | Boombust…
Indo além das discussões sobre ética nos blogs, o que mais se deve saber antes de pensar em veicular posts patrocinados no seu blog?…
27 April, 2008 às 7:10 pm
Pra variar mais um artigo completamente lúcido e, poderia dizer, didático!!!! Thaks, master!!!!
27 April, 2008 às 10:01 pm
Eu sempre digo que blog é liberdade com bom senso, e isso deve ser aplicado com relação aos publieditoriais. Primeiramente, o blogueiro deve acreditar no produto para testá-lo e assim num post falar o que gostou ou não no resultado final do seu uso. Se trata de divulgação, a faça e todos irão perceber que se trata de algo pago ou não. E que blogueiro quer “queimar” seu nome? Acredito que nenhum.
Recentemente, eu comecei a reparar que as novelas da Rede Globo iniciaram uma campanha de perfumes ou produtos de beleza dentro dos diálogos dos personagens. Isso já acontece em seriados americanos, pois a Carrie de Sex and The City sempre escrevia sua coluna (se fosse atualmente, ela teria um blog) em seu macbook! É uma propaganda sutil e elegante.
Para encerrar, eu acho que o bom senso deve ser aplicado. Se meu blog é patrocinado por uma marca de cerveja e eu tenho uma notícia sobre o exagerado consumo de álcool e as consequências dele, eu devo publicar o post ou excluir o patrocinador? Nada, nenhum dos dois. Publique sim, se você achar a pesquisa relevante, pois irá mostrar que como blogueiro você não é refém de certos assuntos (como a mídia tradicional). Mas, explique que se trata de algo sério ligada ao consumo excessivo, numa atitude tomada pelo consumidor. Apesar de aparecer pequenininho o “Aprecie com moderação”, não conheço nenhuma propaganda dessas marcas que digam:
Olhe, se vicie, fique conosco 24 horas! Mesmo em mensagem subliminar! È uma atitude do público final, e o seu meio social (amigos, família) influencia muito mais, do que uma gostosa com uma cerveja na mão em apenas meio minuto de comercial ou um banner.
Espero ter contribuído com a discussão. =) Bjs
p.s. essa coisa de ficar brigando para não ganhar dinheiro, pra mim é coisa de pseudo-socialista encostado em alguém que paga as suas contas. pronto, falei.
27 April, 2008 às 10:12 pm
[...] o último post do Wagner, Como publicar publieditoriais em blogs, me ocorreu a grande quantidade de nomenclaturas que temos para essa nova “modalidade” [...]
27 April, 2008 às 11:53 pm
O termo “ganhe dinheiro com seu blog” ficou mal interpretado. Parece que é fácil; basta ter um blog e escrever qualquer besteira nele. A exclusão daqueles que foram filtrados pelas ferramentas e meios que você mesmo citou nas entre-linhas, Wagner, parece formar uma espécie de “panela” de blogueiros.
No meu entendimento, já é possível perbecer, usando a experiência e o tato, quais mídias socias dão resultados mais eficientes, mas ainda não há um modo empírico de determinar com exatidão quais as mídia corretas para cada anunciante.
Por pouco tempo. Enquanto este medidor não chega, a preparação de profissionais neste meio, é uma idéia simples, genial, e arrojada.
Parabéns.
28 April, 2008 às 10:00 am
Boas dicas q podem e devem ajudar a criar regras básicas pra a prática saudável do publieditorial.
28 April, 2008 às 10:16 am
“Por pouco tempo. Enquanto este medidor não chega, a preparação de profissionais neste meio, é uma idéia simples, genial, e arrojada.”
Eduardo, discordo concordando. A parte do tato e da experiência presente nos profissionais da área é a maior verdade. E justamente por isso acredito que nunca vamos ter um medidor.
A turma que vai puxar o carro vai sempre depender do feeling, do instinto, de estar nas trincheiras. O que não desvaloriza as informações e a construção de pesquisas e indicadores.
O esquema é questionar sempre, manter olhos e ouvidos abertos.
Abraço
28 April, 2008 às 11:25 am
Eu concordo que deve haver uma “padronização” - mais baseada no bom senso - para que os publieditoriais sejam vistos não como uma compra de post, mas como uma publicidade.
Acho que não é SÓ a maturidade dos blogueiros, mas também a maturidade dos anunciantes em não só procurar blogs com grande audiência, mas blogs que condizem com o produto anunciado.
E mesmo assim, muitas, ou a grande maioria, das empresas ainda não está preparada para este mercado porque o enxergam prematuro demais, como você mesmo falou no post tem que acabar o nhém-nhém-nhém… As pessoas querem viver de blog, mas não querem admitir isso, como se não fosse uma profissão. É profissão SIM, enquanto os blogueiros não perceberem isso a imaturidade é que vai imperar.
Beijos, como sempre seu post tá ótimo!
28 April, 2008 às 1:41 pm
O medidor que falei não deve ser um software ou uma máquina, mas sim uma regulamentação subjetiva baseada nas qualidades profissionais tanto dos editores, quanto das agências e anunciantes. Leia-se “credibilidade”.
Carol. Muitos blogueiros somente adaptaram a velha máxima: “Querem um emprego, mas não querem trabalho”. Bom para nós ;D
2 May, 2008 às 5:15 pm
Muito bom o artigo, realmente! Eu gosto de textos grandes, que abordem bastantes questões sobre o tema e muitos links de referências. Esse cumpriu todos os “quesitos”!
Abraços!
9 May, 2008 às 12:56 pm
Discordo de você, Carol, quando afirma, categoricamente, que blogueiro seja profissão. Não é. O fato de termos algumas pessoas vivendo apenas disso não significa que isso seja uma profissão. Isso aí é uma imposição que estejam querendo empurrar a todo custo, a fim de superestimar algo que ainda está engatinhando.
Muitas lavadeiras, por exemplo, passam a vida inteira sustentando uma família só assim. Nem por isso lavadeira pode ser considerado profissão.
14 May, 2008 às 3:51 pm
[...] e hoje possui uma carteira de clientes plenamente satisfeitos com os resultados já obtidos em campanhas publieditoriais patrocinadas veiculadas por nós na mais diversas mídias sociais (blogs, orkut, twitter, fóruns, flickr [...]
14 May, 2008 às 4:51 pm
[...] já sabe como veicular publieditoriais no seu blog? Eu já andei falando sobre isso por [...]
23 May, 2008 às 9:22 am
[...] Para saber o que é um publieditorial, clique aqui; [...]
2 June, 2008 às 6:24 pm
[...] também do ponto de vista quantitativo - a ponto de já atrair a atenção de anunciantes em publieditoriais e outras formas de mídia [...]