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5 March, 2008 por Wagner Fontoura

Blogumentário e StartupCamp pós Campus Party

“No princípio, eram os nerds. E antes que se pudesse entender direito que tribo era aquela, vieram os escovadores de bits, os geeks, os novos geeks, os noobs, a comunidade gamer, a turma do mooding, a galera dos blogs, os acadêmicos da robótica, a militância do software livre…”

Assim foi tratada pela imprensa a Campus Party, também apelidada de “Carnaval dos Nerds”, “Woodstock da Tecnologia”, “São Paulo Fashion Geek”, “Nerdstock”, festa na qual estive imerso juntamente com outros tantos mais de mil, há menos de 30 dias.

Queria mencionar duas iniciativas bem legais que vi acontecer lá dentro da festa geek e das quais voltei a ter notícias hoje:

  • o Blogumentário, cuja idéia original dos seus idealizadores seria “acompanhar algum personagem que ficaria acampado por uma semana no evento”, mas que acabou focando o que seria o atual momento dos blogs no Brasil, registrando depoimentos super legais de diversos personagens desse cenário;
  • e o StartupCamp, que, de quebra, deu origem a outros interessantes depoimentos gravados em pequenos vídeos, upados agora para o site da Gafanhoto.

O projeto Blogumentário é uma parceria da agência LiveAd com a Gafanhoto e a Zeppelin Filmes. O StartupCamp, uma rede de apoio formada por empreendedores, investidores de estágio inicial, instituições de auxílio ao empreendedor, incubadoras e centros acadêmicos.

Acompanhe o Blog do Blogumentário (dica legal do Marco Gomes hoje no Twitter), e assista os vídeos com os depoimentos dos startupcampers no Gafanhoto para saber de iniciativas de empreendimentos bem legais levadas a cabo por algumas figuras que já são quase arroz de festa nesse blog.

Abaixo um “tira-gosto” pra você ter uma idéia do que encontrará por lá:

Ah, se você procurar bem por lá, vai encontrar depoimentos meus também. Confira, vote nos seus vídeos prediletos para promovê-los na rede da Gafanhoto e deixe seus comentário, se possível lá e cá. :)

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15 November, 2007 por Wagner Fontoura

Entrevista de Apresentação da Nossa Via

Na elaboração do material que será enviado pela assessoria de imprensa da Via6 às outras mídias, explicando a essência da Nossa Via - portal blog de conteúdo e de opiniões lançado recentemente pela parceria da Via6 com um grupo de blogueiros a ela associados, a jornalista Samantha Shiraishi realizou comigo um pequena entrevista. Como ainda não tinha falado com mais detalhes sobre o portal depois do seu lançamento aqui no Boombust, decidi publicar o conteúdo dessa entrevista.

Samantha Shiraishi: O Nossa Via é um blog, uma reunião de blogueiros ou um condomínio de blogs?

Wagner Fontoura: O formato do site é de weblog - ou blog - mas ele pode ser escrito por qualquer um - não necessariamente tem que ser blogueiro. O Interney é uma rede de blogs; o MeioBit é um blog temático que reúne vários blogueiros; o Nossa Opinião é uma reunião de blogueiros emitindo opiniões diferentes em torno de temas em comum; o Blog Coaching, como o próprio nome diz, será um coacher de blogs; nós somos um Portal blog de conteúdo e - sobretudo - de opiniões - sobre temas diversos. Iniciativas distintas, com diferentes modelos de negócio, todas em prol da blogosfera brasileira. O Nossa Via será escrito por pessoas comuns (especialistas de formações diversas - não apenas jornalistas, publicitários - embora os tenhamos no grupo), num formato que permite a interação que os portais tradicionais de notícia não permitem: o formato blog. Esse é o nosso principal diferencial. É aí que inovamos.

Mas vários portais (e a mídia tradicional) estão se voltando aos blogs como alternativa, numa tentativa de se atualizar e estar na web 2.0 . Eles não teriam mais credibilidade do que uma reunião de desconhecidos do grande público? Que oferta o nossa via pode fazer que o diferencie da visão opinativa destes grandes como os blogs da Globo, por exemplo? A isenção?

Wagner: Dentre outras coisas sim. Aliado a isso, nós dominamos a ferramenta (os editores e não apenas os autores); e podemos ter tanta credibilidade quanto qualquer outro especialista - porque escrevemos sobre as nossas especialidades. Além disso, temos o propósito de promover ações offline,- nosso outro sponsor, além do Boombust, é a Via6 - porque podemos ser instrumentos para ativação de atividades interativas offline na sua rede de mais de 200.000 associados, e os portais de notícias tradicionais não têm essa atividade.

Mas esta promoção de atividades interativas offline, creio que na área de negócios concretos, será uma das informações que se pretende oferecer ao grande publico como vantagem do Nossa Via?

Wagner: certamente - à medida que as formos promovendo de fato.

De que negócios você fala quando acena com a possibilidade de ações e interatividade offline?

Wagner: Transformando a passividade das nossas redes de relacionamento e comunidades em atividade. Meu primeiro post na Nossa Via anunciava o 1o StartupCamp Brazil Web, um bom exemplo de promoção na qual queremos e vamos atuar, levando oportunidades à nossa rede. O café com blogs é outro ótimo exemplo desse tipo de atividade que pretendemos, mesmo que em menor escala. A partir de então, aberta essa via, nossos próprios usuários sugerirão novas atividades de acordo com interesses individuais e coletivos, e nós teremos criado uma intensa atividade de social networking e de business - não necessariamente apenas de business - a partir do Portal. Vai depender de como seremos capazes de criar esse cenário, nós e o nosso próprio público - porque o processo é interativo - em via dupla.

Como este time de especialistas foi reunido?

Wagner: Como somos um portal nascido com o apoio e patrocínio da Via6 e no meio “blogosfera”, isso foi o primeiro norteador para a seleção dos autores e editores; discutimos isso abertamente junto às comunidades da Via6 para termos a medida do que o nosso público esperava de nós e depois fomos atrás desses valores na blogosfera, nas diversas comunidades da rede e no mercado. Pessoas interessadas em participar também puderam (e ainda podem) se inscrever a partir de página própria da Nossa Via no Boombust. Assim se deu o nosso processo de seleção, dentro da interatividade do meio em que nos inserimos.

Como o apoio e parceria do via6 se firmou?

Wagner: A Via6 sempre apoiou iniciativas dos seus associados ativos e, num certo momento, voltou-se para a geração e veiculação de conteúdo relevante na rede - o que a aproximou muito da blogosfera, que se sentiu acolhida no Rec6. Daí pra decidir patrocinar o projeto da Nossa Via foi um caminho curto. Inicialmente, esse patrocínio consistiu na hospedagem e resgistro de domínio da Nossa Via. E, junto com o Boombust - que também investe em outros projetos dentro da blogosfera - a Via6 é patrocinadora oficial do empreendimento, além de ter aberto a rede para nossa interação, destacando, inclusive, um representante seu - o Allan Panossian - para ser o elo de ligação entre o Portal e a Rede. Também nos oferece assessorias jurídica, de marketing e de imprensa.

E
ntão a pessoa jurídica por trás do Nossa Via é o via6?

Não. A Via6 não tem nenhuma participação jurídica na Nossa Via. Ela é, junto com o boombust, a patrocinadora oficial e eu sou seu Editor-chefe, a quem um “Conselho” responde diretamente.
O Conselho é formado por:

1. Cynara Peixoto - Assessoria de Criação

2. Gabriel Tonobohn - Assessoria de Negócios

3. Guilherme Valadares - Assessoria de Edição e Marketing

4. Conrado Navarro - Assessoria Financeira

5. Allan Panossian - Assessoria de Relações com a Rede Via6

Renato Shirakashi e Diego Monteiro respondem em última instância pela Via6 e eu pela Nossa Via.

Como você descreveria o Modelo de Negócio da Nossa Via de forma simples e objetiva?

Wagner: Somos um portal remunerado pelos serviços online que ofereceremos e pelas atividades offline que promoveremos em parceria entre a Via6, nossos autores, editores e usuários. Os recursos auferidos pelo portal são distribuídos entre os nossos integrantes, seguindo um padrão de remuneração pré-determinado por nós e aceito por eles de forma contratual.

O conteúdo do portal passa por algum tipo de reedição ou os autores são livres para publicarem o que quiserem, como bem entenderem?

Wagner: Essa é outra característica blogger que mantivemos. Outro importante diferencial. Nossos autores tem ampla, total e irrestrita liberdade de publicarem o que bem entenderem, sem passar por qualquer tipo de edição no sentido de alterar conteúdos. Nem mesmo precisam se sentir presos a categorias específicas - ou seja, se normalmente alguém escreve sobre tecnologia e num determinado momento deseja se posicionar sobre outro tema qualquer, é livre. Apenas os padrões de formatação de textos para publicação são editados. Liberdade total, preservando-se os limites da ética e da legalidade - nenhum outro. Em breve teremos colunas específicas, estas mais fixas e personalizadas.

E o Via Aberta, como vai funcionar?

Wagner:
Quanto à Via aberta, não é muito diferente dos canais de veiculação de conteúdo dos usuários mantidos por alguns portais de notícia como a IG, por ex (Minha Notícia). Só que em vez de veicularmos notícias, veicularemos conteúdos compatíveis com o nosso perfil (mais opinativo). Ainda não trabalhamos a divulgação desse canal mas vamos fazê-lo melhor, confesso que de propósito - porque não ainda não criamos uma estrutura ótima de seleção e edição desses materiais. Só no 1º dia 20 artigos foram recebidos para avaliação e pretendo publicar pelo menos 1 artigo selecionado por dia.

Quantos colunistas fixos compõe a equipe?

Wagner: Somos 21 colunistas fixos até agora - esse número deve aumentar nos próximos dias até chegarmos em 35 - número que consideramos ideal para o número de categorias e de artigos que pretendemos publicar diariamente. São eles:

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18 June, 2007 por Wagner Fontoura

Entrevista com Carlos Eduardo Guillaume - Diretor Executivo da Confrapar (1ª Parte)

18 de junho de 2007 - Depois de quase dois anos e meio da sua idealização, o Projeto BoomBust entra no seu estágio de start-up. Já não era sem tempo! O projeto nasceu, de fato, de uma demanda percebida por seus empreendedores ainda e bem no início do ano de 2005. Desde então, muita água passou por baixo dessa ponte durante seu estágio de concepção!

Hoje, a entrada nessa etapa de start-up é marcada, dentre outras coisas e como primeiro passo, pela migração do blog BOOMBUST para outra ferramenta web, mais apropriada ao lançamento paulatino de algumas funcionalidades que servirão ao negócio - o BoomBust (Vide pastas do blog, acima).

Para abrir esta nova fase trazemos ao blog ninguém menos que o Diretor Executivo da Confrapar - Carlos Eduardo Guillaume - que nos prestigia com um entrevista exclusiva cujo tema é “O Capital Empreendedor no Brasil e no Mundo“, concedida para este fim a um dos nossos editores e Gerente de Relacionamentos deste auto-entitulado “Blog-Community” - Wagner Fontoura.

O conteúdo desta entrevista - dividido em 2 posts - mostra “o caminho das pedras” para a obtenção de crédito de Capital Empreendedor, para todos aqueles que têm em mente uma idéia, um sonho, ou, já em estado mais avançado, um projeto, um plano de negócio ou empresas que possuem pouca ou nenhuma receita e estão literalmente nascendo.

Apresentações feitas, vamos à entrevista… Ah, é muito bom estar em tão boas companhias. ;)

BoomBust [Boom]: Olá, Carlos. Em que países a indústria de Venture Capital mais tem se desenvolvido e qual tem sido a importância do desenvolvimento dessa indústria no desenvolvimento de empresas inovadoras e da economia local desses países?

Carlos Eduardo [Carl]: A indústria de Venture Capital é muito desenvolvida na Europa e América do Norte. Essas regiões isoladas representam 80% do volume global de recursos. O mercado de capitais, e em especial a indústria de Venture Capital foi extremamente importante para o desenvolvimento dos Estados Unidos durante o século XX. A indústria de Venture Capital é responsável pelo grande crescimento da produtividade americana, através da criação de empresas inovadoras. A exportação dessa “produtividade” pelas empresas americanas de tecnologia traz recursos aos Estados Unidos e ajuda a compensar o enorme déficit fiscal americano. HP, Oracle, Microsoft, Yahoo, Google, YouTube, eBay. É difícil encontrar uma grande empresa de tecnologia americana que não tenha surgido e se alavancado com os recursos de Venture Capital.

Nos últimos 15 anos, a combinação da facilidade de acesso a informação, a saturação dos mercados maduros, e mais recentemente a liquidez do mercado mundial, tem trazido uma atenção para oportunidades em países emergentes. A Ásia, apesar da falta de uma regulamentação madura para o mercado de capitais em países como a China, por exemplo, tem atraído grande parte desses recursos. Isso se deve às oportunidades que surgem com o crescimento em patamares superiores a 8% ao ano. Nos últimos dois anos, outras estrelas tem surgido e atraído parte dos recursos de Venture Capital disponíveis. Podemos citar a Rússia, a Romênia, a Polônia e outros países do leste Europeu.

Esperamos que agora seja a vez do Brasil.

[Boom]: Quais são as perspectivas do desenvolvimento da indústria de Venture Capital no Brasil e quais são as principais iniciativas locais de apoio ao empreendedorismo, à criação de incubadoras de negócios e de financiamentos de Venture Capital?

[Carl]:O Brasil possui uma série de fatores muito favoráveis ao desenvolvimento dessa indústria. Um enorme mercado consumidor de inovação, uma bolsa de valores forte, com uma regulamentação madura, órgãos de fiscalização independentes, tais como a CVM - Comissão de Valores Mobiliários, e geração de conhecimento nas universidades.

Entretanto, devido a razões históricas e culturais do Brasil e da América Latina em geral, ao empresário não era dado seu devido valor na sociedade, o que em nada contribuiu para a criação de uma cultura empreendedora.

São ainda recentes as iniciativas de apoiar o empreendedorismo em cursos de graduação, mas algumas dessas iniciativas têm nos surpreendido positivamente. Podemos citar aqui a Lei de Inovação, de dezembro de 2004, com progressivos avanços dentro das universidades e incubadoras. Projetos de apoio à incubação e à capitalização de fundos de Venture Capital, por parte do Governo Federal, alguns Governos Estaduais, e prefeituras.

Algumas iniciativas privadas de apoio ao empreendedorismo como Endeavor, Universia, Santander, Assespro, e diversas outras tem contribuído enormemente para o fortalecimento dessa cultura.

O Boombust tem trazido matérias interessantes sobre o tema. Espero que continuem o bom trabalho.

[Boom]: Qual é, tradicionalmente, a origem dos recursos aplicados nos investimentos de Venture Capital no Brasil? Como são criados e administrados os fundos de investimento de Venture Capital?

[Carl]:A indústria de Venture Capital no Brasil não possui mais de 15 anos, e nesse seu nascimento atravessou crises mundiais que tiveram forte impacto em nossa economia, como a crise Mexicana em 1994 e a crise Asiática em 1999. Somente depois de 2001 houve uma calmaria nos mercados externos e um cenário favorável ao Venture Capital no Brasil. O surgimento de novos fundos de Venture Capital também data dessa época. Os recursos em Venture Capital no mundo tem sua base em geral em recursos de Fundos de Pensão, dado seu largo horizonte de investimento e sua necessidade de diversificação da carteira. Recursos públicos, tendo em vista a importância do setor para a geração de novas empresas, são largamente aplicados em Venture Capital, principalmente na Europa. Associações de anjos, pessoas físicas que investem recursos e muitas vezes aconselham empresas nascentes, terminam por formar o tripé de investimento nesse tipo de fundo.

Os fundos de Venture Capital são geralmente criados por empresas de administração de recursos, que decidem ampliar o leque de opções a seus clientes, oferecendo ativos alternativos, com maior risco e maior rendimento. A estrutura e administração de um fundo de Venture Capital é bastante similar àquela de um fundo de ações. As diferenças estão no tipo de analise que é feita para o investimento e no tipo de transação: a analise das empresas deve ser bastante criteriosa em um fundo de Venture Capital pois uma vez feito o investimento, celebra-se um acordo de longo prazo e baixa liquidez. A transação de um fundo de Capital Empreendedor também é mais complexa e envolve uma serie de instrumentos jurídicos para se realizar. Assim, o numero de transações feita por um fundo de Venture Capital também é bem reduzido.

Em geral, os fundos investem em 10 a 20 empresas e fazem poucos investimentos e desinvestimentos por ano.

[Boom]: Como funcionam, via de regra, os principais processos fundamentais do negócio de capital de risco - a saber, captação / prospecção, seleção, análise, investimento, acompanhamento e desinvestimento?

[Carl]:Em primeiro lugar, não consideramos o termo “capital de risco” o mais apropriado para descrever esse negócio. A tradução mais apropriada do Venture Capital seria o “Capital Empreendedor”. O Capitalista Empreendedor é avesso ao risco. Ele fará de tudo para evitar o risco dos negócios.

A visão do risco nesse investimento vem de instituições financeiras tradicionais, que não estão preparadas a avaliar o risco de um negócio inovador. Essa é a especialidade do capitalista empreendedor. Os processos descritos por você funcionam como um funil, onde entram várias oportunidades de investimento e poucas são investidas.

A Confrapar decidiu adotar uma política de transparência com o empreendedor. Todo projeto que se encontra dentro do escopo de atuação do fundo, e que seja apresentado ao Comitê de Investimentos, receberá um relatório mostrando o resultado da analise feita pela Confrapar, mesmo que não seja selecionado para investimento. O processo em geral dura 4 meses e apresenta as seguintes etapas:

1) Etapa Sumário Executivo

A primeira etapa de nosso processo consiste em uma apresentação do Sumário Executivo do plano de negócios ao Comitê da Confrapar.

Esta apresentação é programada para ser feita em 20 minutos e é interna da Confrapar. O empreendedor não apresenta o sumário. Caso a idéia seja apresentada e não seja aprovada enviaremos um relatório ao empreendedor. Caso a idéia seja aprovada passamos para a segunda etapa:

2) Etapa Plano de Negócios

Aqui será agendada uma apresentação do plano de negócios ao comitê. Desta vez, é o empreendedor que fará a apresentação e terá 1 hora e meia para isso. Caso o plano não seja aprovado enviaremos um relatório detalhado ao empreendedor.

Caso o plano seja aprovado passamos à fase seguinte.

3) Etapa de Diligência

Durante esta etapa serão fechados os termos jurídicos da participação da Confrapar na empresa. Após isso inicia-se a sociedade.

[Boom]: Quais são as principais motivações para a decisão pelo investidor por um investimento de Capital Empreendedor?

[Carl]:O investidor sempre busca compor sua carteira de modo a minimizar o risco e aumentar seus rendimentos. Na composição de uma carteira entram fatores pessoais, tais como objetivos do investimento, perfil de risco, etc. O investidor geralmente coloca entre 2% a 5% do total de sua carteira em ativos de maior risco e potencial de altos ganhos.

Alguns investidores porém, investem em capital empreendedor por entenderem ser este um investimento social. Estão ajudando a criar novas empresas, empregos, impostos. A esses investidores pessoa física chamamos anjos. Muitas vezes os conselhos dos anjos são mais importantes que os recursos financeiros.

Continue lendo a 2ª parte desta entrevista aqui…

Carlos Eduardo Guillaume

Diretor Executivo da Confrapar Participações Pesquisa SA

Histórico Profissional

Microsoft - Business Manager
Ericsson - Program Manager
Ericsson - Project Manager

 

Formação Acadêmica

UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Engenharia Eletronica
Fundação Getúlio Vargas - MBA Executivo
IBMEC - MBA - Marketing

Contato

email: kadugui@hotmail.com

 

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18 June, 2007 por Wagner Fontoura

Entrevista com Carlos Eduardo Guillaume - Diretor Executivo da Confrapar (2ª Parte)

…leia a 1ª parte desta entrevista neste link

[BoomBust]: Quais são as principais tendências e estratégias de investimentos adotadas pelos fundos de Capital Empreendedor no Brasil, no que diz respeito a segmentos de negócios, estágios de desenvolvimento, volumes de recursos aplicados, etc?

[Carlos Eduardo Guillaume - Confrapar]:Podemos falar da Confrapar para ilustrar. A Confrapar se especializou em Capital Semente, ou seja, investe em empresas que possuem pouca ou nenhuma receita e estão literalmente nascendo. Essa entretanto, não é uma tendência. O mercado irá crescer como um todo, e teremos players em todos os estágios de desenvolvimento.

Quanto ao segmento, a Confrapar também se especializou em Tecnologias da Informação. A nosso ver, essa especialização é importante quando se trata de capital semente, pois conseguimos entender a língua falada pelo empreendedor e contribuir também no negócio em si.

[Boom]: Por que Tecnologias da Informação?

[Carl]:Disse Tecnologias da Informação em respeito à Convergência. A Via6 é um exemplo. Alguns a verão como empresa de internet, outras como empresa de mídia. Convergência é isso. Hoje investimos em Internet, Software, Telecomunicações e Mídia, e toda nova tecnologia que possa ser vista como Tecnologia de Informação.

[Boom]: Já existe hoje no Brasil uma avaliação relativa aos retornos financeiros auferidos com investimentos de Capital Empreendedor ou ainda é cedo para essa avaliação?

[Carl]:Ainda é cedo para essa avaliação. Os primeiros fundos exclusivos de capital empreendedor no Brasil foram lançados em 2001 e 2002, com prazos médios de 7 anos. Alguns casos de sucesso já nos permitem apontar com boas previsões, mas precisamos que os fundos sejam liquidados antes de falar em qualquer taxa de retorno.

[Boom]: O que deve ser feito pelas empresas investidas para que as variáveis RETORNO, RISCOS E INCERTEZAS sejam otimizadas - e como as investidoras se certificam de que as investidas estejam fazendo seus deveres de casa nesse sentido?

[Carl]:Essa pergunta sozinha, daria uma outra entrevista…

[Boom]: Então já temos o tema da próxima… Quais são os principais fatores críticos para o sucesso de um investimento de Capital Empreendedor?

[Carl]:Cada fundo possui uma estratégia.

A Confrapar, por exemplo, possui sete critérios de avaliação: Equipe, Mercado, Inovação, Modelo de Negócios, Financeiro, Estratégia de Saída, e o Acordo em si.

Quanto mais nascente a empresa, mais importante é a equipe. Se a equipe for boa, as alterações nos outros quesitos, caso necessárias, se darão mais facilmente.

Pelos planos de negócio que recebemos, o quesito mais negligenciado pelos empreendedores é a Estratégia de Saída, seguida pelo Modelo de Negócios.

[Boom]: Qual é a sua visão a respeito da oferta geral de negócios para as empresas de Capital Empreendedor no Brasil (quantitativa e qualitativamente)? Quais são as perspectivas desse mercado?

[Carl]:As perspectivas são excelentes. Temos um país grande, com um grande mercado interno, que adota e consome tecnologia. Temos boas universidades com criação de conhecimento e inovação tecnológica. Temos também um mercado de capitais crescente e já maduro e que vem recebendo cada vez mais recursos. Vemos parceiros como a FIR Capital fecharem importantes parcerias com fundos norte-americanos, ampliando a disponibilidade de recursos no Brasil e a visibilidade de nossas empresas lá fora. Veremos em breve algumas empresas abrindo o capital.

Toda essa liquidez trará uma enorme procura por novos negócios e os ‘olheiros’ começarão cada vez mais a se aproximar dos pequenos empreendedores.

[Boom]: Quais seriam suas principais recomendações para o pequeno e médio empreendedor brasileiro que pensa em buscar recursos de capital empreendedor para o seu empreendimento?

[Carl]:Sempre digo que o empreendedor deve avaliar bem todas as alternativas. Converse com quem já recebeu esse tipo de recurso. O capitalista empreendedor irá sempre buscar negócios com alto potencial de crescimento. O empreendedor deve avaliar se está realmente disposto a trabalhar para o crescimento rápido de sua empresa. Muitas vezes o empreendedor busca apenas uma forma de sustento para si e sua família, e não gostaria de se dedicar a esse propósito. Nesse caso, o capital empreendedor não é a solução.

Agora, se o empreendedor vê um enorme potencial de crescimento de seu projeto/empresa, e está disposto a trabalhar para fazer da sua empresa um grande sucesso, está na hora de sentar com seu sócio e fazer um plano de negócios. Existem bons softwares e livros que os ajudarão nessa tarefa. Mas não faça isso sozinho. Se não tem um sócio, procure um. Se o negócio for realmente bom, você não terá dificuldade em convencer alguém.

O empreendedor aprende bastante simplesmente fazendo o plano de negócios. É onde muitos sonhos morrem. Os que não morrem, entretanto, se fortalecem.

[Boom]: Como você avalia o atual ambiente econômico e regulatório brasileiro sob o ponto de vista do Investidor de Capital Empreendedor?

[Carl]:O cenário econômico está superando todas as ótimas expectativas que tínhamos há 3 anos. A taxa de juros decrescente torna desinteressante o investimento em renda fixa e força o investidor a colocar seus recursos diretamente na produção, seja em renda variável (bolsa de valores) ou Venture Capital. Movimentos recentes de Fundos de Pensão confirmam essa tendência e apontam para um circulo virtuoso na economia.

O ambiente regulatório não ficou atrás das melhoras no cenário econômico. Novas instruções da CVM facilitam e incentivam o investimento em bolsa de valores e Venture Capital. Isenções de impostos para fundos de empresas nascentes ajudam a aquecer o mercado. Ainda encontramos algumas distorções em algumas normas, próprias de um cenário em constante evolução. Nossa perspectiva, entretanto é otimista. Estamos no caminho certo.

[Boom]: Quais são as principais restrições à concessão de investimento de Capital Empreendedor ao brasileiro?

[Carl]:O empreendedor (não só o brasileiro) é muito atento à inovação e ao produto, mas pouco afeito ao lado gerencial e administrativo da empresa. Isso nos traz uma preocupação muito grande em como compor o quadro gerencial da empresa investida, e como equilibrar as forças empreendedoras e gerenciais.

No Brasil, particularmente, ainda pesa o fator novidade. Por ser uma prática recente, com poucos casos de sucesso, o capitalismo empreendedor ainda não é bem compreendido pelo empreendedor brasileiro. Para comparação, basta ir a uma boa universidade americana, e qualquer aluno poderá explicar o que é Venture Capital. Muitos já apresentaram oportunidades a várias VCs ou conhecem colegas que foram investidos. A cultura do capitalismo empreendedor está no seio da economia norte-americana. Somente no ano passado, mais de 3600 contratos de Venture Capital foram fechados por lá.

Por aqui, os fundos pioneiros têm que fazer um trabalho de divulgação e explicação de todo o processo da indústria de Venture Capital. Explicar como funciona, quais são os interesses de cada parte, o porquê dos contratos, etc.

Eu imagino a dificuldade das primeiras seguradoras de automóveis para vender um seguro de carro. Você compraria?

[Boom]: É uma boa comparação. Qual é a origem da Confrapar, como ela está posicionada no mercado e quais suas principais metas e objetivos estratégicos?

[Carl]:A Confrapar é uma empresa relativamente nova. Surgiu em 2004 a partir de uma rede de investidores, executivos e empresários de tecnologia de informação, que vislumbraram o enorme potencial do Venture Capital, e em especial do capital semente, no Brasil.

O propósito da Confrapar é o de trabalhar o capital semente. A decisão de focar em um único setor é muito comum nos Estados Unidos e Europa para empresas de capital semente. Para a Confrapar foi uma decisão estratégica.

Acreditamos que o que faz a diferença não é o recurso financeiro investido nas empresas, e sim, uma combinação saudável desses recursos, conhecimento de mercado, networking, profissionalização da gestão, etc.

Em capital semente, conhecer o negócio faz toda a diferença.

A Confrapar atua em todo o Brasil através de investimentos diretos nas empresas e planeja lançar 2 fundos locais de capital semente ainda em 2007, exclusivos para São Paulo e Minas Gerais.

Continuaremos com nosso foco em capital semente, aportando valores entre R$300.000,00 e R$1.500.000,00 por empresa

[Boom]: Gostaria de utilizar esse espaço para tecer algumas considerações finais?

[Carl]:Espero sinceramente que o capitalismo empreendedor seja visto como uma real alternativa pelos empresários brasileiros. A todos os empreendedores, espero que discutam o tema com seus colegas, sócios, amigos. Espero ter contribuído. Abraços.

[Boom]: Carlos, não há como agradecer sua atenção conosco aqui do BoomBust e o apoio que tem dado ao nosso projeto reiteradamente, desde o seu start-up. Tenha certeza que está contribuindo diretamente conosco e, principalmente, com o nosso público e somos nós quem esperamos estar, em contrapartida, contribuindo com o fortalecimento desse mercado de Capital Empreendedor. Nossas apostas estão feitas na mesma direção das suas. Obrigado e esperamos manter sempre aberto esse canal de comunicação entre a comunidade que este blog pretende representar e os principais players da indústria de Capital Empreendedor - dentre os quais você e a Confrapar . Grande abraço!


 
 

Carlos Eduardo Guillaume

Diretor Executivo da Confrapar Participações Pesquisa SA

Histórico Profissional

Microsoft - Business Manager
Ericsson - Program Manager
Ericsson - Project Manager

 

Formação Acadêmica

UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Engenharia Eletronica
Fundação Getúlio Vargas - MBA Executivo
IBMEC - MBA - Marketing

Contato

email: kadugui@hotmail.com

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