…leia a 1ª parte desta entrevista neste link

[BoomBust]: Quais são as principais tendências e estratégias de investimentos adotadas pelos fundos de Capital Empreendedor no Brasil, no que diz respeito a segmentos de negócios, estágios de desenvolvimento, volumes de recursos aplicados, etc?
[Carlos Eduardo Guillaume - Confrapar]:Podemos falar da Confrapar para ilustrar. A Confrapar se especializou em Capital Semente, ou seja, investe em empresas que possuem pouca ou nenhuma receita e estão literalmente nascendo. Essa entretanto, não é uma tendência. O mercado irá crescer como um todo, e teremos players em todos os estágios de desenvolvimento.
Quanto ao segmento, a Confrapar também se especializou em Tecnologias da Informação. A nosso ver, essa especialização é importante quando se trata de capital semente, pois conseguimos entender a língua falada pelo empreendedor e contribuir também no negócio em si.
[Boom]: Por que Tecnologias da Informação?
[Carl]:Disse Tecnologias da Informação em respeito à Convergência. A Via6 é um exemplo. Alguns a verão como empresa de internet, outras como empresa de mídia. Convergência é isso. Hoje investimos em Internet, Software, Telecomunicações e Mídia, e toda nova tecnologia que possa ser vista como Tecnologia de Informação.
[Boom]: Já existe hoje no Brasil uma avaliação relativa aos retornos financeiros auferidos com investimentos de Capital Empreendedor ou ainda é cedo para essa avaliação?
[Carl]:Ainda é cedo para essa avaliação. Os primeiros fundos exclusivos de capital empreendedor no Brasil foram lançados em 2001 e 2002, com prazos médios de 7 anos. Alguns casos de sucesso já nos permitem apontar com boas previsões, mas precisamos que os fundos sejam liquidados antes de falar em qualquer taxa de retorno.
[Boom]: O que deve ser feito pelas empresas investidas para que as variáveis RETORNO, RISCOS E INCERTEZAS sejam otimizadas - e como as investidoras se certificam de que as investidas estejam fazendo seus deveres de casa nesse sentido?
[Carl]:Essa pergunta sozinha, daria uma outra entrevista…
[Boom]: Então já temos o tema da próxima… Quais são os principais fatores críticos para o sucesso de um investimento de Capital Empreendedor?
[Carl]:Cada fundo possui uma estratégia.
A Confrapar, por exemplo, possui sete critérios de avaliação: Equipe, Mercado, Inovação, Modelo de Negócios, Financeiro, Estratégia de Saída, e o Acordo em si.
Quanto mais nascente a empresa, mais importante é a equipe. Se a equipe for boa, as alterações nos outros quesitos, caso necessárias, se darão mais facilmente.
Pelos planos de negócio que recebemos, o quesito mais negligenciado pelos empreendedores é a Estratégia de Saída, seguida pelo Modelo de Negócios.
[Boom]: Qual é a sua visão a respeito da oferta geral de negócios para as empresas de Capital Empreendedor no Brasil (quantitativa e qualitativamente)? Quais são as perspectivas desse mercado?
[Carl]:As perspectivas são excelentes. Temos um país grande, com um grande mercado interno, que adota e consome tecnologia. Temos boas universidades com criação de conhecimento e inovação tecnológica. Temos também um mercado de capitais crescente e já maduro e que vem recebendo cada vez mais recursos. Vemos parceiros como a FIR Capital fecharem importantes parcerias com fundos norte-americanos, ampliando a disponibilidade de recursos no Brasil e a visibilidade de nossas empresas lá fora. Veremos em breve algumas empresas abrindo o capital.
Toda essa liquidez trará uma enorme procura por novos negócios e os ‘olheiros’ começarão cada vez mais a se aproximar dos pequenos empreendedores.
[Boom]: Quais seriam suas principais recomendações para o pequeno e médio empreendedor brasileiro que pensa em buscar recursos de capital empreendedor para o seu empreendimento?
[Carl]:Sempre digo que o empreendedor deve avaliar bem todas as alternativas. Converse com quem já recebeu esse tipo de recurso. O capitalista empreendedor irá sempre buscar negócios com alto potencial de crescimento. O empreendedor deve avaliar se está realmente disposto a trabalhar para o crescimento rápido de sua empresa. Muitas vezes o empreendedor busca apenas uma forma de sustento para si e sua família, e não gostaria de se dedicar a esse propósito. Nesse caso, o capital empreendedor não é a solução.
Agora, se o empreendedor vê um enorme potencial de crescimento de seu projeto/empresa, e está disposto a trabalhar para fazer da sua empresa um grande sucesso, está na hora de sentar com seu sócio e fazer um plano de negócios. Existem bons softwares e livros que os ajudarão nessa tarefa. Mas não faça isso sozinho. Se não tem um sócio, procure um. Se o negócio for realmente bom, você não terá dificuldade em convencer alguém.
O empreendedor aprende bastante simplesmente fazendo o plano de negócios. É onde muitos sonhos morrem. Os que não morrem, entretanto, se fortalecem.
[Boom]: Como você avalia o atual ambiente econômico e regulatório brasileiro sob o ponto de vista do Investidor de Capital Empreendedor?
[Carl]:O cenário econômico está superando todas as ótimas expectativas que tínhamos há 3 anos. A taxa de juros decrescente torna desinteressante o investimento em renda fixa e força o investidor a colocar seus recursos diretamente na produção, seja em renda variável (bolsa de valores) ou Venture Capital. Movimentos recentes de Fundos de Pensão confirmam essa tendência e apontam para um circulo virtuoso na economia.
O ambiente regulatório não ficou atrás das melhoras no cenário econômico. Novas instruções da CVM facilitam e incentivam o investimento em bolsa de valores e Venture Capital. Isenções de impostos para fundos de empresas nascentes ajudam a aquecer o mercado. Ainda encontramos algumas distorções em algumas normas, próprias de um cenário em constante evolução. Nossa perspectiva, entretanto é otimista. Estamos no caminho certo.
[Boom]: Quais são as principais restrições à concessão de investimento de Capital Empreendedor ao brasileiro?
[Carl]:O empreendedor (não só o brasileiro) é muito atento à inovação e ao produto, mas pouco afeito ao lado gerencial e administrativo da empresa. Isso nos traz uma preocupação muito grande em como compor o quadro gerencial da empresa investida, e como equilibrar as forças empreendedoras e gerenciais.
No Brasil, particularmente, ainda pesa o fator novidade. Por ser uma prática recente, com poucos casos de sucesso, o capitalismo empreendedor ainda não é bem compreendido pelo empreendedor brasileiro. Para comparação, basta ir a uma boa universidade americana, e qualquer aluno poderá explicar o que é Venture Capital. Muitos já apresentaram oportunidades a várias VCs ou conhecem colegas que foram investidos. A cultura do capitalismo empreendedor está no seio da economia norte-americana. Somente no ano passado, mais de 3600 contratos de Venture Capital foram fechados por lá.
Por aqui, os fundos pioneiros têm que fazer um trabalho de divulgação e explicação de todo o processo da indústria de Venture Capital. Explicar como funciona, quais são os interesses de cada parte, o porquê dos contratos, etc.
Eu imagino a dificuldade das primeiras seguradoras de automóveis para vender um seguro de carro. Você compraria?
[Boom]: É uma boa comparação. Qual é a origem da Confrapar, como ela está posicionada no mercado e quais suas principais metas e objetivos estratégicos?
[Carl]:A Confrapar é uma empresa relativamente nova. Surgiu em 2004 a partir de uma rede de investidores, executivos e empresários de tecnologia de informação, que vislumbraram o enorme potencial do Venture Capital, e em especial do capital semente, no Brasil.
O propósito da Confrapar é o de trabalhar o capital semente. A decisão de focar em um único setor é muito comum nos Estados Unidos e Europa para empresas de capital semente. Para a Confrapar foi uma decisão estratégica.
Acreditamos que o que faz a diferença não é o recurso financeiro investido nas empresas, e sim, uma combinação saudável desses recursos, conhecimento de mercado, networking, profissionalização da gestão, etc.
Em capital semente, conhecer o negócio faz toda a diferença.
A Confrapar atua em todo o Brasil através de investimentos diretos nas empresas e planeja lançar 2 fundos locais de capital semente ainda em 2007, exclusivos para São Paulo e Minas Gerais.
Continuaremos com nosso foco em capital semente, aportando valores entre R$300.000,00 e R$1.500.000,00 por empresa
[Boom]: Gostaria de utilizar esse espaço para tecer algumas considerações finais?
[Carl]:Espero sinceramente que o capitalismo empreendedor seja visto como uma real alternativa pelos empresários brasileiros. A todos os empreendedores, espero que discutam o tema com seus colegas, sócios, amigos. Espero ter contribuído. Abraços.
[Boom]: Carlos, não há como agradecer sua atenção conosco aqui do BoomBust e o apoio que tem dado ao nosso projeto reiteradamente, desde o seu start-up. Tenha certeza que está contribuindo diretamente conosco e, principalmente, com o nosso público e somos nós quem esperamos estar, em contrapartida, contribuindo com o fortalecimento desse mercado de Capital Empreendedor. Nossas apostas estão feitas na mesma direção das suas. Obrigado e esperamos manter sempre aberto esse canal de comunicação entre a comunidade que este blog pretende representar e os principais players da indústria de Capital Empreendedor - dentre os quais você e a Confrapar . Grande abraço!


Carlos Eduardo Guillaume
Diretor Executivo da Confrapar Participações Pesquisa SA
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Histórico Profissional |
Microsoft - Business Manager
Ericsson - Program Manager
Ericsson - Project Manager
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Formação Acadêmica |
UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Engenharia Eletronica
Fundação Getúlio Vargas - MBA Executivo
IBMEC - MBA - Marketing
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Contato |
email: kadugui@hotmail.com
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