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11 maio, 2007 por Wagner Fontoura


“Há empreendedores que demoram tanto para chegar à perfeição com seus produtos e serviços que ao lançá-los, o mercado já foi tomado por outra empresa que seguiu o lema do “faça, depois conserte”. (Pedro Mello - no Blog do Empreendedor / Portal Exame PME)

Quem não conhece o ditado que diz que “o ótimo é inimigo do bom”? Pois é; só que nos últimos 20 anos de carreira executiva, com vistas a ter as rédeas do meu sucesso nas próprias mão, sempre ignorei esse ditado - aliás, mais do que ignorá-lo, eu o repeli veementemente. Nunca entendi a diferença entre o bom e o medíocre - pra mim eram a mesma coisa. E julguei, até o último dia da minha vida corporativa, estar certo, com base nos resultados que alcancei. Afinal, iniciei minha história profissional vendendo aço, saí do meu 1º empregador anos depois como executivo de negócios, gerenciei outras unidades locais de negócios, gerenciei unidades regionais de operações, dirigi áreas específicas, empresas inteiras e, no final, um grupo inteirinho de empresas - nessa ordem e ininterruptamente. Sempre alçado ao próximo desafio pelos resultados obtidos no desafio anterior. Eu devia ser bom… logo eu devia estar certo quanto a não aceitar nada que não fosse “o máximo” de mim e dos demais colaboradores das equipes com as quais também eu colaborei.Até que…

Bom, aqui a história começou a entortar.

Ao decidir empreender, minha primeira iniciativa de negócio segui toda uma cartilha de procedimentos esperados para o sucesso: atividade na área na qual eu era especialista (logística), com um bom plano de negócios, uma boa equipe formada por competentes profissionais da área, toda uma rede de parceiros de negócio de primeira hora, pesquisas de mercado embasando nossos projetos comerciais. Tudo como manda o figurino. Não fosse um pequeno detalhe. Minha infernal necessidade de que tudo fosse perfeitamente executado.

Não vou me estender narrando os detalhes de como minha primeira iniciativa de empreendimento se transformou no primeiro dos meus fracassos como empreendedor - não é minha idéia comover ninguém aqui com minhas histórias tristes - mas o fato é que a Vale Logística (como fôra registrada minha 1ª empresa) nunca saiu do papel, apesar de todo o cenário favorável que tínhamos naquele momento. Isso porque perdemos o timing do negócio. Nos descapitalizamos antes mesmo de iniciar nossas operações e condenamos nosso empreendimento à morte antes mesmo de nascer. Ou até nasceu… mas como não entendíamos ainda muito bem a diferença entre dívida boa e dívida ruim, não queríamos usar recursos de terceiros e então, sem ar morremos na praia.

Minha primeira grande frustração (é, houve outras…) e minha primeira grande lição. Aquilo que alavancara minha carreira executiva surtia o efeito contrário na vida empreendedora. E, resistente a acreditar nisso, o mesmo desejo de perfeição me pregou outras peças no caminho de empreender. Histórias para outros posts… (rs - eu poderia ficar aqui dias e dias contando orgulhosamente os meus fracassos, todos muito bem catalogados e aproveitados na formação da minha nova bagagem empreendedora ainda em formação)

Por enquanto, só queria contar essa historinha pra dizer que hoje acredito mais do que nunca que não basta mesmo ser bom - é preciso ser o melhor naquilo que nos propomos fazer, mas… muitas vezes nos perdemos quando não conseguimos construir “o melhor cenário” para a realização dos nossos sonhos e planos de empreendimento - e isso acaba freqüentemente condenando nossos projetos à morte. Não raro só nos damos conta de que morremos antes de chegar à praia quando vemos nosso projeto sendo implementado no mercado por outra pessoa. Às vezes essa outra pessoa também não tinha o cenário ideal, mas teve o ímpeto de realizar “apesar de”. E essa é uma das principais características do empreendedor de sucesso: não basta bater um bolão… tem que fazer gol - porque quem não faz leva.

E aí, pode ser mesmo que o ótimo seja o inimigo nº 1 do bom.

Sabe aquele seu projeto que vem se arrastando há tempos na espera de que algum fato novo aconteça e crie as condições ideais para a sua implementação? Olhe em torno de si e veja se já não tem alguém realizando o seu sonho no seu lugar. Se ainda não, corra! Pode ser que você esteja atrasado mas que ainda haja tempo suficiente para implementá-lo já. Boa sorte! Já começou a correr?

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9 maio, 2007 por Wagner Fontoura

A informação veiculada ontem em primeira mão no TechBits pelo Alexandre Fugita de que o boo-box - start-up brasileira de tecnologia “está em negociações com empresas de capital de risco” mexeu com o universo online brasileiro. E não só com os bloggers, principais interessados no sucesso do projeto (e seu alvo), mas com todos os players do crescente mercado nacional de investimentos em start-up´s de base tecnológica - tomadores de capital e investidores.O Alexandre explica muito bem a natureza dos serviços oferecidos pela boo-box e a natureza da empresa - por isso não vou me deter nisso aqui - sugiro que chequem o post do TechBits, que é - como de costume - muito elucidativo. Vou me deter aqui na natureza desse tipo de operação no Brasil, o que muito me interessa e a tantos outros empreendedores que esperam na fila pelo crédito de capital de risco.

Para entender a lógica que viabiliza esse tipo de operação, dado um cenário que embute tantas incertezas - e este não será o primeiro nem o último desse tipo de investimento nos últimos tempos - é preciso que entendamos que “risco” é uma variável mensurável, podendo ser previsto e associado a probabilidades. Não tem nada a ver com “incerteza” - que não permite qualquer tipo de previsão e está ligada ao desconhecimento.O capital de risco tem concentrado, no Brasil e no mundo, seus investimentos em start-up’s inovadoras, cujos projetos têm por trás de si mentores que despertem confiança por seu histórico de experiências anteriores bem sucedidas e/ou por seu perfil empreendedor, arrojado, técnico e confiável. É o caso, por exemplo, da jovem equipe de empreendedores do portal de relacionamentos Via6, recentemente investido pela Confrapar, e será também o caso do jovem mentor do projeto brasileiro do boo-box - Marco Gomes.

Para ter acesso a esse tipo de fonte de recursos de capital (Venture Capital), o empreendimento deve apresentar um potencial de crescimento expressivo, atuar em mercados atraentes, com serviços inovadores e altamente competitivos.

Em operações de investimento de capital de risco em start-up’s, via de regra, do ponto de vista do investidor de capital de risco, existem maneiras funcionais de minimização dos riscos e das incertezas envolvidos, e o domínio dessas alternativas pelas investidoras brasileiras tem estimulado novas e mais freqüentes iniciativas dessa natureza.

Algumas dessas alternativas de minimização de risco e de incertezas são:

  1. Trazer para um mesmo patamar o nível de informações entre o investidor e o tomador de capital. Cabe ao investidor uma análise profunda do projeto do tomador, do quanto este em si parece confiável e as condições de sua implementação e viabilização. Um grande aprendizado de ambos os lados acaba acontecendo no processo de investimento. São criados canais e códigos de informações comuns.
  2. Estabelecer uma estabilidade nas relações entre investidor e tomador, através do monitoramento das operações de implementação e depois de gestão do empreendimento, estabelecendo relações de confiança mútua entre as equipe de projeto.
  3. Desenvolver competências mútuas entre os players do projeto - investidor e tomador - sejam estas competências técnicas, financeiras, a maneira de pensar de ambos e compreender o mercado em si. Isso certamente diminuirá riscos e incertezas.

Ficamos na torcida pelo sucesso de mais essa iniciativa em torno da boo-box, certos de que o Brasil tem muito a ganhar com o crescimento contínuo desse tipo de investimento nas nossas searas, e de que tem um potencial enorme ainda reprimido; torcendo para que novas referências de sucesso se enfileirem por aqui, animando novas e crescentes iniciativas empreendedoras, com base no apoio do mercado de capitais de risco - uma alternativa absolutamente saudável para empresas start-up’s de base tecnológica.

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7 maio, 2007 por Wagner Fontoura

Muito se tem dito sobre as mudanças que a web - sobretudo agora na sua fase “colaborativa” - tem provocado no cenário econômico mundial e os “pegas” entre a grande e velha indústria estabelecida (os chamados Dinossauros, resistentes) e os supostos novos donos do poder (que abriram e querem controlar a caixa de Pandora) - e esses vão dos bloggers à nova e realmente poderosa indústria pontocom.De ambos os lados há intransigência, arrogância e resistências. De ambos os lados muitas vezes tem faltado bom senso. Os dois lados precisam encontrar soluções para questões que ainda nem se dignaram a se postular. É a versão para a economia contemporânea do eterno conflito de gerações. Mas vai além disso.

Percebo que há um conflito interno no próprio seio de cada contentor. De um lado, o aparente “descontrole” da nova indústria, que está certa de que tem nas mãos um aparato revolucionário de ferramentas mas que nem sempre (na verdade, quase nunca) sabe o que fazer com ele. De outro uma corrida incessante pela adaptação ao novo mundo, que tem uma capacidade de se reinventar muitas vezes maior do que a capacidade destes de se adaptarem. Onde isso vai dar? Quem sobreviver verá…

Guiando não raro os passos da indústria da internet destaca-se atualmente a atuação da comunidade recém formada dos “com voz” - os bloggers! Cada vez mais (auto)investidos de poderes crescentes, como consumidores e formadores de opinião que são (ou querem ser), travam entre si e com o resto do mundo uma batalha de vaidades. Querem ser notados, atendidos (há até os que querem ser adorados - acredite) e não medem esforços para sê-lo. Mas daí podem surgir sim (por que não?) tendências e soluções para os novos dilemas da economia contemporânea - mesmo que para isso tenhamos que suportar muita pirralhice e bobeirinhas que vêm a reboque. Faz parte.

E não adianta nhem-nhem-nhem. Precisamos decifrar os novos códigos sim - não, não estou fazendo apologia ao cracking - é dos códigos que ditarão novas soluções e novos formatos de negócio para a economia pontocom. O velho dilema de “como ganhar dinheiro com isso” ainda não foi equacionado. Empresas (e bloggers) ainda tentando ganhar dinheiro com publicidade na rede fazem-me rir - é como jogar na loteria. Tudo bem, quem não joga não ganha, mas, por favor, nós podemos mais que isso… falem sério! Isso é papo de Dinossauro - rs! Espero bem mais dos nossos empreendedores virtuais… quando é que surgirão novas Camiseterias e novos Fábios Seixas? Demorou…

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29 abril, 2007 por Wagner Fontoura

Créditos:
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo

“Uma idéia milionária na cabeça, mas nenhum capital para bancar o negócio. É aí que entra o “anjo”, investidor que busca empreendimentos com potencial de gerar fortunas e transformar talento em dinheiro. No Brasil, os investidores-anjo voltam a se articular em busca de projetos seis anos após o estouro da bolha da internet.Trinta investidores finalizam a criação da São Paulo Anjos, uma associação que busca juntar as pontas entre empreendedores e captadores de recursos. Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, abriu uma empresa de participações que analisa cinco projetos de empresas nascentes. No Rio de Janeiro, a Gávea Angels, associação pioneira no segmento, analisa dois novos projetos e mantém aplicação em outros três.

“[Desde a bolha] a perspectiva do Brasil mudou, com entrada de estrangeiros e aumento da renda. Empreendedorismo é como avião decolando, precisa de horizonte. E, com os juros baixando [o investidor], tem de procurar alternativas mais rentáveis”, disse Carlos Lino, sócio de Carbone na GC Partners.

O Sebrae estima que o país tenha entre 50 mil e 100 mil pequenas empresas inovadoras à espera de “anjo”, que procura projetos que resolvam problemas antigos, mas com um “algo a mais” inovador. Ele fica de três a seis anos na empresa adotada e embolsa o lucro quando vende a participação.

No Brasil, o investimento inicial fica entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão –capital nascente, ao qual mais tarde se somam aportes dos fundos de “venture capital” (capital de risco) e de “private equity” (participação em empresas) dependendo da necessidade de financiamento.

Além do capital, o “anjo” entra com trabalho e costuma participar da gestão. Identificar novos projetos é um dos processos mais longos e penosos, que envolve análise técnica e uma dose de instinto.

A Gávea Angels já foi procurada por 197 empreendedores. Desse total, chegaram à análise 23, mas só receberam investimentos três projetos: a Bizvox, uma empresa de reconhecimento de voz por telefone; a Publit, editora virtual que faz impressões por demanda; e o Brazil Pass, espécie de cartão de fidelidade com desconto para turistas no Rio.

“Ficava frustrado por só ter chegado a três projetos em três anos de trabalho. Com o contato com “anjos” europeus e americanos, vi que o índice era até bom”, diz Ernesto Weber, ex-presidente da Petrobras, hoje “anjo” da Gávea Angels.

Devido ao alto risco e ao volume de trabalho de prospecção, os anjos costumam atuar em grupo, por meio de uma associação ou de um fundo de investimento. Na associação, os sócios participam apenas de projetos de seu interesse.

“Olhamos os números e vemos o retorno financeiro. Tem de ser algo maior que o DI e outros investimentos disponíveis no mercado”, disse Fábio Bellotti, da São Paulo Anjos.

Para Manuel Iglesias, da mesma associação, além de uma boa idéia, os “anjos” observam se não há problemas legais ou éticos envolvidos. “Se for ético, ecológico, forte em governança, melhor. Mas tem de dar retorno”, disse.

O grande nascedouro dessas empresas são as incubadoras das universidades. “Chegam jovens brilhantes aqui com boas idéias, mas que não sabem vender nem administrar. E ainda precisam de dinheiro”, disse o professor Cesar Salim, da incubadora da PUC do Rio.

Nos EUA, os “anjos” são a principal fonte de financiamento das novas empresas de tecnologia, segundo a ACA (Angel Capital Association), que reúne 200 grupos de “anjos” americanos. Os investimentos totalizam US$ 12,4 bilhões. Os “anjos” investem até 25% de seu patrimônio em troca de 30% das empresas. De cada 5 projetos, 1 terá grande sucesso, enquanto 2 empatarão e 2 fracassarão.”

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24 abril, 2007 por Wagner Fontoura

“Vejam essa maravilha de cenário!
É o episódio relicário
Que o artista, num sonho genial

Escolheu para esse carnaval.

E o asfalto, como passarela,

Será a tela.

O Brasil em forma de aquarela…”

O Brasil é mesmo o “Aquarela” pintado por Silas de Oliveira no seu imortal “Aquarela Brasileira” - samba composto para o carnaval da Império Serrano de 1964! Sob muitos pontos de vista - mas vejam sob este, se não é:

O Cenário: O Mercado Brasileiro, ávido de investimentos e de iniciativas empreendedoras de negócios, num panorama externo e interno único e alvissareiro - apesar dos pesares;

O Episódio Relicário a oportunidade de interação, colaboração, de participação que nos é dada pela “Rede” (rede não - Redes! As mais diversas) - lugar para onde podemos levar nossos “objetos de estima”… (Quais são os seus objetos de estima? Trabalho? Investimentos? Relacionamentos? Em que áreas? Quais são?)

O Artista: (ou os artistas): Nós, artífices desse episódio!

O Sonho Genial: Qual é o seu?

Carnaval: A grande festa das oportunidades e demandas reprimidas ou não!

O Asfalto, como passarela que será a tela: Claro - falo sobretudo da Web!

O Aquarela: Aquele que terá a diversidade das cores que formos capazes de, como artistas, pintarmos…

A combinação e a interação da web colaborativa (2,0) com a semântica (3,0) terá para o empreendedorismo de negócios - seja na esfera “.com” ou não - um efeito magnífico!

Mas dependerá da capacidade dos artífices (nós). Capacidade de inspiração, de muita transpiração, de iniciativa, de inteligência. Dependerá menos da capacidade de governos e instituições de se organizarem para esse cenário (acho mesmo que estes virão a reboque - mas virão mais rapidos do que a maioria de nós acredita).

Enquanto isso vamos todos nos posicionando “nessa maravilha de cenário”.

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