Caro Mauro,
Ontem, mesmo sem conhecermo-nos pessoalmente, tomei a iniciativa de publicar no meu blog e veicular no Rec6 seu mais recente post do carreirasolo. Sou seu leitor e assinante já há algum tempo - 1 ano, talvez mais um pouco. Seu trabalho como blogger foi o primeiro a chamar minha atenção para essa atividade à qual eu mesmo hoje me dedico, ainda que de forma precária e muito amadora.E decidi utilizar esse recurso - blogar - com alguns propósitos bem definidos; dentre eles, o de conhecer o DNA desse universo - a chamada blogosfera - para consubstanciar meu plano de negócios para o Projeto Boombust! E arrisco dizer que não precisei de muito tempo para começar a tirar daqui as primeiras lições…
A primeira delas de que é curioso como, com a transformação desse universo em um território “dominado” por bloggers “profissionais”, criou-se uma “indústria do nada” - que pode ser chamada também de indústria do ego. Blogueiros escrevendo para outros blogueiros, “vendendo” seus pontos de vista sobre o mundo sob as suas óticas. E vendendo caro, às vezes… à força, não raro.
Veículadores de postagens bloggers que exibem, como vitrines, o vasto elenco de “produtos” dos posts democráticos (e não raras vezes questionáveis) sobre tudo e qualquer coisa. Vendendo para ninguém, se é que isso é possível. Às vezes, de forma realmente inovadora, até pagando para vender!(?)
Fico tentando entender, na minha incompetência e pequenês, o que sustentará essa economia e por quanto tempo. Quantos realmente “monetizarão” (para usar um termo popular aqui) suas atividades e de suas “empresas” de forma consistente e satisfatória, além dos gigantes que, estes sim, vendem algo de consistente dada a escala gigantesca alcançada. Mas sobretudo, qual é o real valor agregado à economia por essa atividade? Quem concentra essa riqueza gerada (ou ela está diluída entre os que a sustentam?)? “Perguntas, perguntas e mais perguntas”, como diria meu amigo Conrado Navarro.
Todas essas questões me remetem aonde quero chegar desde o início. Mas as perguntas que considero mais importantes, na verdade são: como de fato criarmos instrumentos de remuneração eficazes às atividades relacionadas à blogosfera? Como democratizar esses instrumentos?
Ah, claro - muitos dirão que não blogam por dinheiro, mas é de casos como o seu que estamos falando. Os outros podem parar por aqui a leitura e se retirarem se quiserem - até sugiro. Estamos falando do seu caso e de inúmeros outros - tenho certeza - que vivem o seu mesmo “paradoxo”. O Paradoxo Carreirasolo, como você denominou. Por isso divulguei sua postagem e não me surpreende nem um pouco o fato de, mesmo publicada e num veículo que maximizou o acesso ao seu dilema, nenhum novo comentário a respeito no seu blog foi acrescido aos que já estavam lá. Silêncio. O silêncio de quem ou não sabe o que lhe sugerir ou ainda não percebe que o seu “paradoxo” antevê onde isso tudo vai dar. Talvez o silêncio de quem não percebe que está numa triste fila de espera pela sua vez de se render.
Ainda ontem outro caso foi largamente veiculado aqui nesse mesmo espaço: o da boo-box. Um caso em que de fato as mídias foram bem trabalhadas pelos envolvidos no projeto para que conspirassem a favor da geração de um negócio. Bingo! Eis aqui a nossa resposta e a saída para o seu dilema!
O propósito de quem bloga como você e como eu e como tantos outros de nós deve ser bem definido: no nossos casos, Gerar Negócios! Seus verdadeiros clientes não são (a meu ver) “os freelancers que estão todo dia no seu balcão”. Estes são, no máximo, seus potenciais parceiros. E eu acredito que você saiba disso - mas os seus clientes talvez não, e os seus potenciais parceiros parece que também não. Mas não estamos sós - alíás, estamos em distintas companhias.
Acho que veículos como as redes de relacionamento social poderiam objetivar a geração de oportunidades de negócios em suas searas muito mais do que a vender publicidades ou serviços pagos. Poderiam vender isso também, mas eu jamais apostaria todas as minhas fichas nesse negócio a não ser que tivesse costas muito quentes!
O momento no Brasil é auspicioso para start-ups de tecnologia, que cairam nas graças do Capital de Risco. Se quisermos preservar e prolongar esse quadro tão positivo, precisamos (e me incluo nessa jornada) tornar nossos negócios grandes geradores de outros negócios, que criem produtos de verdade, inovadores de verdade, para mercados de verdade, com estratégias voltadas para resultados de verdade, para nós e para nosos parceiros. Isso é agregar valor. Mas será que estamos prontos? Será que é isso o que fazemos? Acho que não - pelo menos não a maior parte do tempo.
Nossa cultura não contribui muito conosco. Não aprendemos a empreender de fato na família, nem na escola, nem depois que já estamos no mercado - esse algoz que acaba de bater à sua porta. Somos todos forçados a aprender na “porrada” (não encontro outro termo que reflita melhor o que quero lhe dizer).
Mas tenho uma proposta a lhe fazer. Defina seu melhor produto (Gestão de conteúdo? Arquitetura de informação?), e vamos convidar uma rede de networking (Renato, você está aí?), uma rede de financiamentos (Carlos, você está aí?), uma rede de capacitação para o empreendedorismo (Navarro, você está lendo isto?), e quem mais quiser se juntar a nós nessa empreitada (querido leitor deste post, quer aproveitar essa oportunidade para juntar-se a nós?) e vamos trabalhar juntos em torno de um projeto (de um não, de vários!) que crie produtos e serviços de verdade e agregue valor de fato para esse negócio no qual já estamos metidos? Vamos criar empreendimentos e empreendedores de negócios a partir das nossas estruturas já existentes - nossos blogs, nossas redes, nossos conhecimentos, nossas experiências, nossas infra-estruturas, nossos recursos de capital. José Luiz você participa disso conosco (você e o Márcio são bons nisso)?
Bem, isso é tudo com o que eu posso tentar contribuir com o seu dilema. Se isso cria, como você questionou, um novo paradigma ou não, vai depender exclusivamente de nós e das nossas capacidades - individuais e no conjunto.
E isso não foi um devaneio - foi de fato um convite para empreendermos juntos algumas idéias que cada um de nós (e todos) temos em nossas melhores gavetas -> nosso cérebro e nosso coração. Quanto a mim, já estou em marcha.
Um grande abraço!
Wagner Fontoura
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