As mídias sociais são um pirão sem dono
…dinheiro é verde, os gafanhotos são verdes e por aí vai.
Assim termina o texto de volta e, confesso, há muito esperado por mim, que sou fã e admirador, do Marcos VP, lá no seu pirão sem dono. Um texto ainda no mesmo tom “grave” e melancólico com o qual se despediu da blogosfera, por “não ter mais o menor prazer e a menor vontade de escrever”, segundo suas próprias palavras.
Grasshoppers, título do referido pot, publicado sob a tag heresias, é ácido e direto ao ponto. O dinheiro teria invadido a blogosfera, provocando estragos, como gafanhotos (grashoppers) numa lavoura boa. Não precisou se estender para deixar seu recado. Acho que eu o entendo, principalmente porque pude usufruir de pequenas mas preciosas oportunidades de convívio consigo e percebo algumas das suas incompatibilidades com “o mundo cão”.
Conversando há pouco com outro amigo a quem respeito e admiro, mesmo quando não concordo - e discordar um do outro quase chega a ser nosso esporte predileto - Ricardo Cabianca, que ainda hoje publicou post (dica da Samantha Shiraishi) sobre as restrições legais impostas no Reino Unido a técnicas antiéticas de marketing viral, vejam seu ponto de vista:
É a mesma coisa quando o homem descobriu que podia usar os recursos naturais para sua sobrevivência. Fez isso sem planejar e ver as consequências e agora está pagando um preço alto… é o que pode acontecer com as midias sociais, todo mundo mamando na teta e uma hora acaba, os anunciantes desistem, surge uma nova “midia” e todo mundo corre para mamar em outra teta!
Vejo que essa discussão a respeito do uso, sobretudo, de blogs como veículos de propagação comercial de produtos e serviços (e de interesses diversos) sendo levada de forma ainda não muito profícua, pelo menos em relação ao fim que deveria ser o desejável - o de definirem-se limites, práticas efetivamente inócuas - isso porque, via de regra e até aqui, esse é um barulho feito muito mais por pessoas que apenas desejam destruir modelos, empresas e pessoas (ou por pessoas que não desejam nada além de ser do contra pelo simples fato de ser) do que por pessoas de boa fé, que desejam pura e simplesmente construir valor, cono é o caso do próprio Ricardo, profissional íntegro, inteligente acostumado a olhar pra frente e, evidentemente, de muito boa fé.
Curiosamente vejo esse propósito (construir valor) exatamente em algumas pessoas e empresas (ok, em poucas) que são exatamente as acusadas de serem os lobos-maus das mídias sociais. Porque, óbvio, o interesse em criar mercados sustentáveis é, antes, delas. Apostas em políticas antiéticas de sustentabilidade duvidosa são, evidentemente, tiros nos pés, e pessoas inteligentes não costumam dar tiros nos pés deliberadamente.
As empresas mais bem preparadas, dotadas de managers possuidores de pelo menos meio neurônio, aprenderão (e estão aprendendo) com seus erros e acertos, pagando o preço do pioneirismo, correndo os riscos inerentes a toda ação empreendedora e construirão a história das mídias sociais que deixaram de ser brincadeira de casinha para se tornarem, dentre outras coisas e inclusive, veículos de conteúdo e (por que não?) de publicidade relevante, ética e efetiva.
Presto serviços para uma empresa especialista em criar estratégias de marketing em mídias sociais, onde temos dado passos largos no sentido de adotar como referência uma idéia interessante da womma, associação de Marketing à qual nos ligamos há algum tempo, e que se propõe a colocar algumas boas práticas e limites éticos para esse tipo de comunicação, com os quais concordamos e aos quais buscamos firmemente estar alinhados, contribuindo para o amadurecimento desse mercado. Em resumo trata-se de:
Sermos honestos na relação com o interlocutor, na opinião que apresentamos, na identidade que assumimos; assumirmos a responsabilidade sobre nossos atos, respeitarmos as regras, observarmos a conjuntura quando defendemos uma idéia, pessoa, agência, empresa. Acima de tudo usarmos uma medida extra de segurança perguntando-nos: nós nos sentiríamos confortáveis com esta campanha ou há algo nela que nos deixaria envergonhados de assumir publicamente?
Em recente encontro entre jornalistas e blogueiros, o Newscamp, acontecido em SP, no Gafanhoto (ops!), promovido pela Ceila Santos e cia ltda, qual não foi minha surpresa ao ver sendo discutido, de forma quase madura, este mesmo tema, tocado por pessoas, de fato, desejosas em entender juntas (!) os caminhos possíveis, aprender, experimentar, olhar adiante; gostei do que vi e ouvi, mesmo que não tenhamos chegado a grandes conclusões - o que é típico do formato de deconferência adotado no encontro. Mas sementes de respostas e de soluções levamos na bagagem sim, ao final do encontro. É assim que se faz quando o que se quer é construir algo com boa fé.
Mas voltando ao assunto, Marcos, saudade. Você faz falta na blogosfera. No meu reader e no de muitos dos nossos amigos em comum. Prometo nunca lhe passar propostas de publieditoriais nem convidá-lo para campanhas publicitárias, mas volta logo, vai. ![]()
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18 abril, 2008 às 1:51 pm
Só você para aturar esse meu proverbial mau humor, meu caro. Eu juro que eu tento ficar nas platitudes, mas de vez em quando a ferocidade escapa entre meus dedos e cai nas teclas. Bem, creio que é melhor desse jeito que por outros canais. Forte abraço.
18 abril, 2008 às 3:17 pm
Oi wagner, muito legal sua reflexão porque nos aponta para o caminho que neste momento vem sido deixado de lado pela euforia de fazer as coisas funcionarem: o CUIDADO. Falo disso no meu blog mídia social, mas confesso que ainda continua tudo muito, mas cada vez mais, nebuloso. Parabéns pela pensata!
18 abril, 2008 às 3:20 pm
[...] Boombust, de Wagner Fontoura: As mídias sociais são um pirão sem dono [...]
20 abril, 2008 às 3:25 am
Muito boa sua reflexão, Wagner. Quanto ao NewsCamp, a idéia agora, além de dar continuidade às desconferências, é começar a pensar em um novo formato para tentar colocar algumas das idéias discutidas pelo menos no papel. Aonde pretendemos chegar com isso? Ninguém sabe. Como a Ceila mesmo disse aqui, tudo ainda é muito nebuloso. Mas vamos tentando…
22 abril, 2008 às 12:17 am
[...] de postar sobre o assunto lá na firrrma, o Wagner Fontoura disse que falaria a respeito e fez um bom post falando do Womma e de como a questão do dinheiro estar chegando aos blogueiros está mudando tudo. [...]
22 abril, 2008 às 12:20 am
Gostei mesmo do blog, já assinei o RSS… vou voltar mais vezes, assim espero =D
22 abril, 2008 às 10:20 am
Fico pensando a respeito de se faturar um trocado com blogs. Tenho gostado muito do assunto, mas chega uma hora em que a neurose bate e a precariedade não me deixa ter gana de ganhar dinheiro com isso. Apesar dessa travação, acho que gosto de escrever na rede por que em qualquer lugar que eu vá, poderei me reconhecer. Ou seja, sempre estou! É uma coisa também meio “só leio o meu próprio blog”, isso é mais até por falta de cultura de blogar os outros. Todavia tenho lido boas informações e algumas visitas. Acho interessante a convergência e o uso de novas ferramentas para incrementar o espaço. Da mesma forma, fico muito feliz quando escuto falar de eventos out-line, no mundo real (mas quem disse que existe separação), isso me lembra de um tempo, em que a internet nascia e nós (desconhecidos de nós mesmos), nos encontrávamos em encontros de RPG, LIve actions, Show de bandas B-side, eventos de fãs, estréia de cinema etc. Coisas mais ou menos específicas que abraça pequenos, médios e grandes públicos interessados em algo comum, seja la o que for esse comum…
E esse lance de newscamp é mó barato mesmo!!!
Vc sabe de algo interessante para acontecer nesse sábado de virada cultural??? Sou de Minas e desembarco por ai no sabado á procura da imanência prometida nesse REVIRÃO!
Abs
27 abril, 2008 às 6:43 pm
[...] pistas de pra onde caminhamos. A wooma, entidade já mencionada por mim em outro post onde digo que as mídias sociais são (ainda) um pirão sem dono, uma espécie de associação internacional do “marketing de boca-a-boca”, apresenta [...]
19 maio, 2008 às 1:56 am
[...] Newcamp - Desconferência entre blogueiros e jornalistas onde se discutiram as relações entre as mídias sociais e tradicionais; [...]