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“Há empreendedores que demoram tanto para chegar à perfeição com seus produtos e serviços que ao lançá-los, o mercado já foi tomado por outra empresa que seguiu o lema do “faça, depois conserte”. (Pedro Mello - no Blog do Empreendedor / Portal Exame PME)
Quem não conhece o ditado que diz que “o ótimo é inimigo do bom”? Pois é; só que nos últimos 20 anos de carreira executiva, com vistas a ter as rédeas do meu sucesso nas próprias mão, sempre ignorei esse ditado - aliás, mais do que ignorá-lo, eu o repeli veementemente. Nunca entendi a diferença entre o bom e o medíocre - pra mim eram a mesma coisa. E julguei, até o último dia da minha vida corporativa, estar certo, com base nos resultados que alcancei. Afinal, iniciei minha história profissional vendendo aço, saí do meu 1º empregador anos depois como executivo de negócios, gerenciei outras unidades locais de negócios, gerenciei unidades regionais de operações, dirigi áreas específicas, empresas inteiras e, no final, um grupo inteirinho de empresas - nessa ordem e ininterruptamente. Sempre alçado ao próximo desafio pelos resultados obtidos no desafio anterior. Eu devia ser bom… logo eu devia estar certo quanto a não aceitar nada que não fosse “o máximo” de mim e dos demais colaboradores das equipes com as quais também eu colaborei.Até que…
Bom, aqui a história começou a entortar.
Ao decidir empreender, minha primeira iniciativa de negócio segui toda uma cartilha de procedimentos esperados para o sucesso: atividade na área na qual eu era especialista (logística), com um bom plano de negócios, uma boa equipe formada por competentes profissionais da área, toda uma rede de parceiros de negócio de primeira hora, pesquisas de mercado embasando nossos projetos comerciais. Tudo como manda o figurino. Não fosse um pequeno detalhe. Minha infernal necessidade de que tudo fosse perfeitamente executado.
Não vou me estender narrando os detalhes de como minha primeira iniciativa de empreendimento se transformou no primeiro dos meus fracassos como empreendedor - não é minha idéia comover ninguém aqui com minhas histórias tristes - mas o fato é que a Vale Logística (como fôra registrada minha 1ª empresa) nunca saiu do papel, apesar de todo o cenário favorável que tínhamos naquele momento. Isso porque perdemos o timing do negócio. Nos descapitalizamos antes mesmo de iniciar nossas operações e condenamos nosso empreendimento à morte antes mesmo de nascer. Ou até nasceu… mas como não entendíamos ainda muito bem a diferença entre dívida boa e dívida ruim, não queríamos usar recursos de terceiros e então, sem ar morremos na praia.
Minha primeira grande frustração (é, houve outras…) e minha primeira grande lição. Aquilo que alavancara minha carreira executiva surtia o efeito contrário na vida empreendedora. E, resistente a acreditar nisso, o mesmo desejo de perfeição me pregou outras peças no caminho de empreender. Histórias para outros posts… (rs - eu poderia ficar aqui dias e dias contando orgulhosamente os meus fracassos, todos muito bem catalogados e aproveitados na formação da minha nova bagagem empreendedora ainda em formação)
Por enquanto, só queria contar essa historinha pra dizer que hoje acredito mais do que nunca que não basta mesmo ser bom - é preciso ser o melhor naquilo que nos propomos fazer, mas… muitas vezes nos perdemos quando não conseguimos construir “o melhor cenário” para a realização dos nossos sonhos e planos de empreendimento - e isso acaba freqüentemente condenando nossos projetos à morte. Não raro só nos damos conta de que morremos antes de chegar à praia quando vemos nosso projeto sendo implementado no mercado por outra pessoa. Às vezes essa outra pessoa também não tinha o cenário ideal, mas teve o ímpeto de realizar “apesar de”. E essa é uma das principais características do empreendedor de sucesso: não basta bater um bolão… tem que fazer gol - porque quem não faz leva.
E aí, pode ser mesmo que o ótimo seja o inimigo nº 1 do bom.
Sabe aquele seu projeto que vem se arrastando há tempos na espera de que algum fato novo aconteça e crie as condições ideais para a sua implementação? Olhe em torno de si e veja se já não tem alguém realizando o seu sonho no seu lugar. Se ainda não, corra! Pode ser que você esteja atrasado mas que ainda haja tempo suficiente para implementá-lo já. Boa sorte! Já começou a correr?
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12 maio, 2007 às 12:43 am
Grande Wagner, que belo artigo (como sempre). Sua história não é diferente da grande maioria dos bem sucedidos empreendedores que populam nosso país. Ainda bem. Procuro acreditar que o segredo é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo, pois esta é a natureza do empreendedor. Além disso, evito manter-me ocupado lutando contra mim mesmo na busca frenética do melhor lugar, da melhor posição, do melhor negócio. O erro está em buscar mais do que agir. E ainda tentamos colocar a culpa no tempo. Quem quer fazer, arruma um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa. Parabéns! Grande abraço. Tenha um ótimo final de semana.
Navarro
http://www.dinheirama.com
12 maio, 2007 às 1:34 am
Grande Conrado,
Somos privilegiados pela sorte por pertencermos a gerações que têm a vida útil bastante e cada vez mais prolongada - o que nos dá a chance de errar mais, recomeçar mais vezes, mudarmos os planos se for o caso mais de uma vez e assim acredito que chegaremos ao final da linha com uma senhora bagagem de sucessos e fracassos, ambos contribuindo pra nossa sabedoria (caramba, que profundo isso - rs).
Grande abraço! Obrigado por sua colaboração. Um ótimo final de semana pra você também!
14 maio, 2007 às 9:53 am
Prezado amigos,
Esta frase eu sempre ouvia nos meus tempos de pre-vestibulando do meu professor de cursinho… a idéia que ele sempre passava era a de que SE o BOM atende as expectativas gerais, perseguir o ÓTIMO pode lhe custar energia desnecessaria para um resultado equivalente. Era como se A Domino´s Pizza pudesse lhe entregar seu pedido em 10 minutos ao inves dos trinta atuais, i.e. 3X mais tempo…eles ate poderiam faze-lo, mas o grande aumento dos custos par tal não compensariam o pequeno aumento da satisfacao do cliente, que já espera ser atendido entre 25 a 30 minutos apos o pedido. Como voce mesmo vivenciou, e eu tambem, na vida empreeendedora este tipo de analise vale para tudo que é feito na empresa: o que posso fazer melhor, que me custe X, que o meu cliente perceba muito melhor e me pague 2X… Um grande abraço a todos…