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9 maio, 2007 por Wagner Fontoura

A informação veiculada ontem em primeira mão no TechBits pelo Alexandre Fugita de que o boo-box - start-up brasileira de tecnologia “está em negociações com empresas de capital de risco” mexeu com o universo online brasileiro. E não só com os bloggers, principais interessados no sucesso do projeto (e seu alvo), mas com todos os players do crescente mercado nacional de investimentos em start-up´s de base tecnológica - tomadores de capital e investidores.O Alexandre explica muito bem a natureza dos serviços oferecidos pela boo-box e a natureza da empresa - por isso não vou me deter nisso aqui - sugiro que chequem o post do TechBits, que é - como de costume - muito elucidativo. Vou me deter aqui na natureza desse tipo de operação no Brasil, o que muito me interessa e a tantos outros empreendedores que esperam na fila pelo crédito de capital de risco.

Para entender a lógica que viabiliza esse tipo de operação, dado um cenário que embute tantas incertezas - e este não será o primeiro nem o último desse tipo de investimento nos últimos tempos - é preciso que entendamos que “risco” é uma variável mensurável, podendo ser previsto e associado a probabilidades. Não tem nada a ver com “incerteza” - que não permite qualquer tipo de previsão e está ligada ao desconhecimento.O capital de risco tem concentrado, no Brasil e no mundo, seus investimentos em start-up’s inovadoras, cujos projetos têm por trás de si mentores que despertem confiança por seu histórico de experiências anteriores bem sucedidas e/ou por seu perfil empreendedor, arrojado, técnico e confiável. É o caso, por exemplo, da jovem equipe de empreendedores do portal de relacionamentos Via6, recentemente investido pela Confrapar, e será também o caso do jovem mentor do projeto brasileiro do boo-box - Marco Gomes.

Para ter acesso a esse tipo de fonte de recursos de capital (Venture Capital), o empreendimento deve apresentar um potencial de crescimento expressivo, atuar em mercados atraentes, com serviços inovadores e altamente competitivos.

Em operações de investimento de capital de risco em start-up’s, via de regra, do ponto de vista do investidor de capital de risco, existem maneiras funcionais de minimização dos riscos e das incertezas envolvidos, e o domínio dessas alternativas pelas investidoras brasileiras tem estimulado novas e mais freqüentes iniciativas dessa natureza.

Algumas dessas alternativas de minimização de risco e de incertezas são:

  1. Trazer para um mesmo patamar o nível de informações entre o investidor e o tomador de capital. Cabe ao investidor uma análise profunda do projeto do tomador, do quanto este em si parece confiável e as condições de sua implementação e viabilização. Um grande aprendizado de ambos os lados acaba acontecendo no processo de investimento. São criados canais e códigos de informações comuns.
  2. Estabelecer uma estabilidade nas relações entre investidor e tomador, através do monitoramento das operações de implementação e depois de gestão do empreendimento, estabelecendo relações de confiança mútua entre as equipe de projeto.
  3. Desenvolver competências mútuas entre os players do projeto - investidor e tomador - sejam estas competências técnicas, financeiras, a maneira de pensar de ambos e compreender o mercado em si. Isso certamente diminuirá riscos e incertezas.

Ficamos na torcida pelo sucesso de mais essa iniciativa em torno da boo-box, certos de que o Brasil tem muito a ganhar com o crescimento contínuo desse tipo de investimento nas nossas searas, e de que tem um potencial enorme ainda reprimido; torcendo para que novas referências de sucesso se enfileirem por aqui, animando novas e crescentes iniciativas empreendedoras, com base no apoio do mercado de capitais de risco - uma alternativa absolutamente saudável para empresas start-up’s de base tecnológica.

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8 maio, 2007 por Wagner Fontoura

Fonte: Reuters

Um novo aparelho indolor que mede os níveis de açúcar no sangue dos diabéticos foi inventado por cientistas da Escola de Enfermagem da Universidade de Hong Kong. Com este sistema os diabéticos deixam de picar o dedo, como acontece com os instrumentos tradicionais.O aparelho — com as dimensões de um telefone celular comum — emite uma luz, idêntica ao infravermelho, que penetra na pele do dedo e analisa o nível de glicose no sangue em apenas dez segundos.

A equipe de 28 investigadores espera usar uma tecnologia semelhante para medir o colesterol ou o ácido lácteo nos doentes oncológicos. O novo aparelho deverá começar a ser comercializado no próximo ano.

A diabetes é uma doença crônica que surge devido à insuficiente produção de insulina pelo pâncreas, o que se traduz no aumento dos níveis de açúcar no sangue. A Organização Mundial de Saúde estima que no mundo existam 180 milhões de diabéticos e acredita que o número poderá duplicar até 2030. No Brasil estima-se que 7% da população sofra de diabetes. Parte desse total nem se sabe diabética. Aqueles que trazem seus níveis de glicemia sob controle tendem a ter uma vida absolutamente normal, apesar do diabetes ainda ser uma doença incurável (tudo indica que por pouco tempo).

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7 maio, 2007 por Wagner Fontoura

Muito se tem dito sobre as mudanças que a web - sobretudo agora na sua fase “colaborativa” - tem provocado no cenário econômico mundial e os “pegas” entre a grande e velha indústria estabelecida (os chamados Dinossauros, resistentes) e os supostos novos donos do poder (que abriram e querem controlar a caixa de Pandora) - e esses vão dos bloggers à nova e realmente poderosa indústria pontocom.De ambos os lados há intransigência, arrogância e resistências. De ambos os lados muitas vezes tem faltado bom senso. Os dois lados precisam encontrar soluções para questões que ainda nem se dignaram a se postular. É a versão para a economia contemporânea do eterno conflito de gerações. Mas vai além disso.

Percebo que há um conflito interno no próprio seio de cada contentor. De um lado, o aparente “descontrole” da nova indústria, que está certa de que tem nas mãos um aparato revolucionário de ferramentas mas que nem sempre (na verdade, quase nunca) sabe o que fazer com ele. De outro uma corrida incessante pela adaptação ao novo mundo, que tem uma capacidade de se reinventar muitas vezes maior do que a capacidade destes de se adaptarem. Onde isso vai dar? Quem sobreviver verá…

Guiando não raro os passos da indústria da internet destaca-se atualmente a atuação da comunidade recém formada dos “com voz” - os bloggers! Cada vez mais (auto)investidos de poderes crescentes, como consumidores e formadores de opinião que são (ou querem ser), travam entre si e com o resto do mundo uma batalha de vaidades. Querem ser notados, atendidos (há até os que querem ser adorados - acredite) e não medem esforços para sê-lo. Mas daí podem surgir sim (por que não?) tendências e soluções para os novos dilemas da economia contemporânea - mesmo que para isso tenhamos que suportar muita pirralhice e bobeirinhas que vêm a reboque. Faz parte.

E não adianta nhem-nhem-nhem. Precisamos decifrar os novos códigos sim - não, não estou fazendo apologia ao cracking - é dos códigos que ditarão novas soluções e novos formatos de negócio para a economia pontocom. O velho dilema de “como ganhar dinheiro com isso” ainda não foi equacionado. Empresas (e bloggers) ainda tentando ganhar dinheiro com publicidade na rede fazem-me rir - é como jogar na loteria. Tudo bem, quem não joga não ganha, mas, por favor, nós podemos mais que isso… falem sério! Isso é papo de Dinossauro - rs! Espero bem mais dos nossos empreendedores virtuais… quando é que surgirão novas Camiseterias e novos Fábios Seixas? Demorou…

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7 maio, 2007 por Wagner Fontoura

A bola da vez na blogosfera é o Sec.un.dum! Um modelo de como utilizar-se de uma forma simples e eficiente - mas, acima de tudo, inteligente e inovadora - de um modelo de negócio já existente, num mercado (quase) já saturado.Pois eles vieram e oxigenaram o mundo dos chamados diggs clones. (Mas se é diferente, não é clone - certo?) Claro! Se tem personalidade própria, se inova em qualquer quesito, não é clone; partiu de um modelo pré-existente (por que não?) e acrescentarou algo que agrega valor. No caso do Sec.un.dum, literalmente.

Isso porque o principal diferencial proposto foi exatamente dividir os ganhos de publicidade do portal com os blogs que o alimentam de notícias (eis outro diferencial inteligente - não é preciso enviar o post, o Sec.un.dum se incumbe de buscá-la diretamente nos blogs associados! E tem outros pequenos mas agradáveis “brindes” ao leitor como o feed por palavras chave, bem legal…)

Não importa quão pequeno pode ser a parcela a ser creditada a cada colaborador - já valeu a aposta. Simples? É… como a grande maioria das idéias geniais. E apostas estão sendo feitas de todos os lados - desde os pequenos e inexperientes blogueiros até as “estrelas” da blogosfera. Bingo!

O Ponto Crítico - a meu ver - do empreendimento é que seu público alvo são - mais do que nunca - os bloggers - tribo que prima pela vaidade e de difícil fidelização… jogo de cintura ao cubo, amigo Jobson!

Jobson Lemos é o nome do editor-jornalista-empreendedor (e empreendedor de 1ª, diga-se de passagem.).

Veja o que o próprio Jobson tem a dizer sobre o portal:

“Fiz algumas regras básicas que estão numeradas abaixo e criei um meme para que os parceiros digam como gostariam de fazer o rateio.

O meme está em http://www.secundum.com.br/meme-como-dividir-a-grana-do-secundum Espalhe por aí. Entre lá e diga como quer dividir a grana, afinal, mesmo que pouca, ela é sua.

 

Secundum = de acordo com

 

Secundum Blogs = de acordo com os blogs

 

Cláusulas pétreas:

 

1 ) só participa do rateio, o site que mantiver um link em seu Blogroll para www.secundum.com.br

 

2 ) O valor a ser dividido equivale a metade do faturamento com publicidade do secundum no mês, descontados os impostos e taxas de conversão, no caso do Adsense

 

3) Um blog poderá constar da lista de links sem ser associado - por acharmos seu conteúdo relevante - mas ele só entrará na partilha ao se tornar associado

 

4) Publicação duplicada de posts ou alteração da data para que o post permaneça mais tempo na Home do Secundum, geram uma advertência. Na terceira advertência o site será excluído do Secundum

 

5) Só podem se associar blogs com conteúdo em português. Pagamento do rateio só será realizado em bancos com sede no Brasil

 

6) Participar dessa comunidade é grátis. Se alguém, algum dia, em algum lugar, cobrar em nome do Secundum pode ter certeza que é golpe!

 

7) Se seu blog possui link para o Secundum no Blogroll mas seus posts não aparecem no site avise-nos enviando um e-mail para secundum@secundum.com.br

 

Por ora, é isso”

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5 maio, 2007 por Wagner Fontoura

 

Essa é pra curtirmos a ressaca até domingo…Depois de toda a celeuma provocada pelo MeioBit em torno de ajustes quase que exigidos pelo nº 1 dos blogs brasileiro ao Rec6, e na mesma semana em que outro stress - de proporções ainda muito maiores - em torno do Digg já havia polarizado a web e dividido (tanto lá como aqui) a blogosfera e mesmo os mortais comuns que se viram bem no meio dos tiroteios na rede, decidi replicar aqui uma lufada de bom senso publicada ainda hoje pelo Silvio Meira - colunista do G1. Aqui vai…

“A web está revolucionando modelos de negócio há dez anos. Vez por outra, uns dinossauros reaparecem, vivinhos da silva. Ainda bem que há antídotos à mão…

Pandora, na mitologia grega, foi a primeira mulher. A seu cargo estava um vaso que a curiosidade, (in)felizmente, não deixou fechado. Ao abri-lo, Pandora libertou uma torrente de infortúnios sobre a humanidade e só conseguiu tampar o vaso quando restava apenas um “presente dos deuses” lá dentro. Segundo uns, era a esperança, mas outros acreditam que se tratava, de fato, da advinhação. Nos nossos tempos, pandora é algo que, ao começar, ou se abrir, é quase impossível controlar ou fechar. Na web, uma das caixas de pandora é o compartilhamento de conteúdo, fora do controle da outrora grande e poderosa indústria de áudio e vídeo, que ainda se acha com super-poderes suficientes para fechar a tal caixa. Será que vai conseguir? Isso quando a web, em si, é outra caixa de pandora, muito maior?

O primeiro grande problema é que não há só uma caixa, mas milhões delas, tantos quantos são os usuários da rede. Haja energia pra tentar ordenar tamanho caos. O segundo é a dificuldade, inerente aos impérios da hora, de aprender história e com ela.

Esta semana, uma das mais interessantes páginas coletivas da web, digg.com, resolveu se render à censura imposta por uma associação da indústria (o Advanced Access Content System Licensing Administrator, AACSLA), responsável pelo DRM (digital rights management, ou sistema de chaves digitais para gestão de conteúdo) dos HD-DVDs, aos sites que publicaram (ou publicam) a chave que decodifica todos os HD-DVDs que estão por aí. Ao fazer isso, digg gerou uma revolta em sua comunidade, que quase destrói o site, que colapsou por várias horas, levando seus administradores a ceder, não à censura da AACSLA, mas à pressão de seus usuários. Melhor ter um negócio correndo o risco de sofrer um processo do que nenhum negócio… A história está contada em detalhe aqui, na BBC.

Muita zuada por nada, diria um Shakespeare lá de Taperoá. Eu publiquei a chave no meu blog em fevereiro e ela está lá até hoje, para quem quiser. Ainda não precisei usá-la. Aliás, ela vai ficar “velha”, pois a AACSLA avisou aos fabricantes de DVDs e players que vai liberar uma nova chave em breve, o que terá a conseqüência de impedir que os DVD players já vendidos toquem os DVDs codificados com a nova chave! Seus donos terão que trocar o firmware… imagine a confusão. Por nada. Mais de 80% dos participantes de uma enquete da Wired previam, esta semana, que a nova chave será quebrada em menos de um mês. E a confusão começará de novo.

Conteúdo, como um todo, precisa de um novo modelo de negócios. Não adianta fingir que não e muito menos tentar cercear os usuários usando regras bizarras. Não dá para continuar sujeitando pessoas honestas e decentes, que compraram um DVD legal, a ter que quebrar o DRM do dito pra tocá-lo no computador, onde o leitor não adere ao padrão fechado que a indústria de mídia quer impor. Se comprei o conteúdo, qualquer uso razoável que eu faça dele deve ser permitido. Cópia para meu uso, por exemplo. Tocá-lo em qualquer lugar, outro. Emprestar para quem eu quiser. Revender, recomprar, alugar, destruir se for ruim. A indústria tem que se dar um reboot, e isso vai acontecer mesmo que ela não queira, com o fim do suporte físico para conteúdo, graças à conectividade universal e banda larga para todos. E ao espírito da rede, de abertura radical, de caixa de pandora já aberta.

Aliás, Pandora também é uma “rádio” na web, que acaba de receber uma outra “ordem”, também esta semana, de outro dinossauro: limitar suas “emissões” apenas ao “território” dos Estados Unidos. E tudo entre aspas, aqui, porque a tal ordem equivale a dizer que a rede, digital, tem que se comportar como analógica! Isso é um absurdo de proporções mastodônticas. As rádios “concretas” tinham limites geográficos (e ainda têm, hoje) porque seu suporte físico –na forma de transmissores, antenas e receptores– é uma plataforma limitada. Não faz sentido, numa rede onde o mundo é um ponto, limitar a geografia que pode ter acesso a um site. Mas isso pode ser feito porque a tecnologia da rede também permite identificar, a custo muito baixo, a geografia de seu endereço IP. Aí, ao invés de usar a tecnologia para empoderar os consumidores, os antigos imperadores do conteúdo querem fazer o contrário, impor limites a uma avalanche tecnológica como a internet, mais libertadora do que a imprensa de Gutenberg.

Mas a rede e suas comunidades parecem não ter volta. A abertura é grande, radical, e os esforços para fechá-la são sempre contrapostos por mais alternativas para mantê-la aberta, quando não para abrir ainda mais. Quer saber como? Se você é (ou era…) ouvinte de Pandora, é só voltar lá usando uma das muitas alternativas possíveis. A caixa de Pandora foi aberta num passado imemorial. Esteve, está e continuará aberta. O descontrole da tecnologia e o empoderamento da periferia estão aqui para ficar. Para sempre. Se você tem um modelo de negócios que não considera a liberdade de seus consumidores, lamentamos muito. Bom passado pra você.”

(*) Silvio Meira é Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

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