A informação veiculada ontem em primeira mão no TechBits pelo Alexandre Fugita de que o boo-box - start-up brasileira de tecnologia “está em negociações com empresas de capital de risco” mexeu com o universo online brasileiro. E não só com os bloggers, principais interessados no sucesso do projeto (e seu alvo), mas com todos os players do crescente mercado nacional de investimentos em start-up´s de base tecnológica - tomadores de capital e investidores.O Alexandre explica muito bem a natureza dos serviços oferecidos pela boo-box e a natureza da empresa - por isso não vou me deter nisso aqui - sugiro que chequem o post do TechBits, que é - como de costume - muito elucidativo. Vou me deter aqui na natureza desse tipo de operação no Brasil, o que muito me interessa e a tantos outros empreendedores que esperam na fila pelo crédito de capital de risco.
Para entender a lógica que viabiliza esse tipo de operação, dado um cenário que embute tantas incertezas - e este não será o primeiro nem o último desse tipo de investimento nos últimos tempos - é preciso que entendamos que “risco” é uma variável mensurável, podendo ser previsto e associado a probabilidades. Não tem nada a ver com “incerteza” - que não permite qualquer tipo de previsão e está ligada ao desconhecimento.O capital de risco tem concentrado, no Brasil e no mundo, seus investimentos em start-up’s inovadoras, cujos projetos têm por trás de si mentores que despertem confiança por seu histórico de experiências anteriores bem sucedidas e/ou por seu perfil empreendedor, arrojado, técnico e confiável. É o caso, por exemplo, da jovem equipe de empreendedores do portal de relacionamentos Via6, recentemente investido pela Confrapar, e será também o caso do jovem mentor do projeto brasileiro do boo-box - Marco Gomes.
Para ter acesso a esse tipo de fonte de recursos de capital (Venture Capital), o empreendimento deve apresentar um potencial de crescimento expressivo, atuar em mercados atraentes, com serviços inovadores e altamente competitivos.
Em operações de investimento de capital de risco em start-up’s, via de regra, do ponto de vista do investidor de capital de risco, existem maneiras funcionais de minimização dos riscos e das incertezas envolvidos, e o domínio dessas alternativas pelas investidoras brasileiras tem estimulado novas e mais freqüentes iniciativas dessa natureza.
Algumas dessas alternativas de minimização de risco e de incertezas são:
- Trazer para um mesmo patamar o nível de informações entre o investidor e o tomador de capital. Cabe ao investidor uma análise profunda do projeto do tomador, do quanto este em si parece confiável e as condições de sua implementação e viabilização. Um grande aprendizado de ambos os lados acaba acontecendo no processo de investimento. São criados canais e códigos de informações comuns.
- Estabelecer uma estabilidade nas relações entre investidor e tomador, através do monitoramento das operações de implementação e depois de gestão do empreendimento, estabelecendo relações de confiança mútua entre as equipe de projeto.
- Desenvolver competências mútuas entre os players do projeto - investidor e tomador - sejam estas competências técnicas, financeiras, a maneira de pensar de ambos e compreender o mercado em si. Isso certamente diminuirá riscos e incertezas.
Ficamos na torcida pelo sucesso de mais essa iniciativa em torno da boo-box, certos de que o Brasil tem muito a ganhar com o crescimento contínuo desse tipo de investimento nas nossas searas, e de que tem um potencial enorme ainda reprimido; torcendo para que novas referências de sucesso se enfileirem por aqui, animando novas e crescentes iniciativas empreendedoras, com base no apoio do mercado de capitais de risco - uma alternativa absolutamente saudável para empresas start-up’s de base tecnológica.
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