Recebi agora há pouco do amigo e parceiro Conrado Navarro (Dinheirama) a informação dos resultados da pesquisa publicada ontem, dia 21, pela FIRJAN , que revelam o que todos nós já sabemos: que “universidades falham na formação de empreendedores”.A pesquisa realizada com universitários, todos de último ano, afirmou que a universidade tem
* formação insatisfatória nessa área (65,6%)
* raramente ou nunca oferece disciplinas sobre negócio próprio em sala de aula (50,3%)
* que os professores não os estimulam nesse sentido (57,8%)
* que quase não há análise de casos de empresas em sala de aula (54,4%).
Ao mesmo tempo, 43,1% dos entrevistados acreditam que a oferta de empregos com carteira assinada vem diminuindo, 83,3% afirmam que a concorrência no mercado de trabalho está muito acirrada e 88,4% reconhecem que é necessário investir muito em qualificação para entrar no mercado.
Os jovens demonstraram esperar que a formação de empreendedor se dê nas universidades.
Para 58,9%, o mais importante na hora de empreender é o conhecimento adquirido em sala de aula. E 65,6% consideram a formação que recebem nessa área insuficiente.
O presidente em exercício da FIRJAN, Carlos Mariani Bittencourt, afirmou que
“a pesquisa mostra que há um paredão para os jovens quando chegam ao final da universidade”, e que é papel da sociedade oferecer uma “bóia de salvação, como o caminho do empreendedorismo”.
O desejo por qualificação para empreender se refletiu no Seminário e Feira de Empreendedorismo, promovido nesta segunda pela FIRJAN, que recebeu mais de 1.700 universitários de todas as áreas. “Essa presença nos incentiva a levar o assunto ao Fórum de Reitores e implantar programas nessa direção nas universidades que não os têm, ajudando a melhorar as que já têm”, afirmou o diretor-geral do Sistema FIRJAN, Augusto Franco.
A pesquisa entrevistou 1.795 universitários – 36,2% matriculados em universidades públicas e 63,8% em particulares. Foram 59,1% de alunos dos cursos de ciências sociais e humanas, 23,3% de exatas e 17,6% de biomédicas. A pesquisa abrangeu 80 universidades de 26 municípios, e foi realizada entre 15 de março e 27 de abril.
A primeira parte da pesquisa é sobre a percepção das mudanças no mercado de trabalho, fato ao qual os jovens mostraram estar atentos. A segunda é sobre o objetivo de cada um e revela que, apesar da plena consciência das mudanças do mercado, a maioria (63,5%) ainda sonha com um emprego público como primeira opção. Como segunda opção, trabalhar na iniciativa privada é a alternativa mais citada (43,3%). Na terceira opção, abrir um negócio próprio (32,1%).
A partir daí, a pesquisa se concentra nas perguntas sobre empreendedorismo, que foram feitas a todos os entrevistados, independentemente das respostas anteriores.
Quando questionados sobre os fatores mais importantes para se abrir um negócio, a maioria (50,6%) respondeu ter capital próprio. Para 28%, o mais importante é conhecer bem o campo de atuação. E somente para 7,1% o fundamental é ter uma idéia ou produto inovador.
Na parte de planejamento, financiamento e tributação, o conhecimento dos jovens é escasso.
* 80% não têm idéia dos procedimentos burocráticos necessários.
* 75% não sabem como criar um plano de negócios.
* 73,6% têm pouca ou nenhuma informação sobre como conseguir crédito.
Com relação à oferta de disciplinas sobre responsabilidades legais das empresas, 46,8% não têm ou desconhecem. No caso de disciplinas sobre fontes de financiamento, o número dos que não têm passa para 66,4%.
Mecanismos importantes de incentivo adotados por algumas universidades são desconhecidos pelos entrevistados. Pelo menos 57% não sabem da existência de empresas juniores, e 75% não estão informados sobre as incubadoras de empresas.
As universidades falham em oferecer outras formas de contato com o setor produtivo, como as visitas a empresas (58,4% dos alunos não fazem ou desconhecem) e palestras com empresários (44% não têm ou desconhecem).
Se todos esses dados não nos disserem nada a respeito do que espera por nossos filhos (e por muito e muito de nós mesmos) daqui a pouco, então precisamos aguçar “um pouco mais” nossa percepção de riscos (e de oportunidades).
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