
Créditos:
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo
“Uma idéia milionária na cabeça, mas nenhum capital para bancar o negócio. É aí que entra o “anjo”, investidor que busca empreendimentos com potencial de gerar fortunas e transformar talento em dinheiro. No Brasil, os investidores-anjo voltam a se articular em busca de projetos seis anos após o estouro da bolha da internet.Trinta investidores finalizam a criação da São Paulo Anjos, uma associação que busca juntar as pontas entre empreendedores e captadores de recursos. Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, abriu uma empresa de participações que analisa cinco projetos de empresas nascentes. No Rio de Janeiro, a Gávea Angels, associação pioneira no segmento, analisa dois novos projetos e mantém aplicação em outros três.
“[Desde a bolha] a perspectiva do Brasil mudou, com entrada de estrangeiros e aumento da renda. Empreendedorismo é como avião decolando, precisa de horizonte. E, com os juros baixando [o investidor], tem de procurar alternativas mais rentáveis”, disse Carlos Lino, sócio de Carbone na GC Partners.
O Sebrae estima que o país tenha entre 50 mil e 100 mil pequenas empresas inovadoras à espera de “anjo”, que procura projetos que resolvam problemas antigos, mas com um “algo a mais” inovador. Ele fica de três a seis anos na empresa adotada e embolsa o lucro quando vende a participação.
No Brasil, o investimento inicial fica entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão –capital nascente, ao qual mais tarde se somam aportes dos fundos de “venture capital” (capital de risco) e de “private equity” (participação em empresas) dependendo da necessidade de financiamento.
Além do capital, o “anjo” entra com trabalho e costuma participar da gestão. Identificar novos projetos é um dos processos mais longos e penosos, que envolve análise técnica e uma dose de instinto.
A Gávea Angels já foi procurada por 197 empreendedores. Desse total, chegaram à análise 23, mas só receberam investimentos três projetos: a Bizvox, uma empresa de reconhecimento de voz por telefone; a Publit, editora virtual que faz impressões por demanda; e o Brazil Pass, espécie de cartão de fidelidade com desconto para turistas no Rio.
“Ficava frustrado por só ter chegado a três projetos em três anos de trabalho. Com o contato com “anjos” europeus e americanos, vi que o índice era até bom”, diz Ernesto Weber, ex-presidente da Petrobras, hoje “anjo” da Gávea Angels.
Devido ao alto risco e ao volume de trabalho de prospecção, os anjos costumam atuar em grupo, por meio de uma associação ou de um fundo de investimento. Na associação, os sócios participam apenas de projetos de seu interesse.
“Olhamos os números e vemos o retorno financeiro. Tem de ser algo maior que o DI e outros investimentos disponíveis no mercado”, disse Fábio Bellotti, da São Paulo Anjos.
Para Manuel Iglesias, da mesma associação, além de uma boa idéia, os “anjos” observam se não há problemas legais ou éticos envolvidos. “Se for ético, ecológico, forte em governança, melhor. Mas tem de dar retorno”, disse.
O grande nascedouro dessas empresas são as incubadoras das universidades. “Chegam jovens brilhantes aqui com boas idéias, mas que não sabem vender nem administrar. E ainda precisam de dinheiro”, disse o professor Cesar Salim, da incubadora da PUC do Rio.
Nos EUA, os “anjos” são a principal fonte de financiamento das novas empresas de tecnologia, segundo a ACA (Angel Capital Association), que reúne 200 grupos de “anjos” americanos. Os investimentos totalizam US$ 12,4 bilhões. Os “anjos” investem até 25% de seu patrimônio em troca de 30% das empresas. De cada 5 projetos, 1 terá grande sucesso, enquanto 2 empatarão e 2 fracassarão.”
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